sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

K

(???)


Tão perto

e o outro

vai-se esfumando,

a memória

já não lhe toca.

Há outros cheiros,

há outras cores nos ares;

olhos vidrados no nada,

pendurados em ninguém,

presos aos olhos

de quem passa,

silenciosos

revirando o chão.

Amor é nada,

vai,

deixa, deixa o obscuro gosto,

da ausência;

amor é nada,

deixa o travo da espera,

do frio nos braços

entrelaçados

em si.

Amar,

é amar o que não foi,

a fantasia,

o querer,

querer que o outro

fosse o que não era.

O amor sempre partiu,

numa fuga

infame.

(...)

Amor?

Melhor o frio

sem memória...
(a partir de um pensamento de blindness)
(Fotografia de J.N.)

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

K

Capital

 


 "Empty streets. Skylines overclouded,

my footsteps orange coloured

are where somebody meets"

Divisei-te num texto, em que te pressenti por entre as copas dos sintagmas, era um texto em língua inglesa, restos de sonetos de amor, entrevi algumas páginas de "Romeo and Juliet", o amor e a paixão, levam consigo tudo o que sentires, verdadeira enxurrada que deixa para trás limpo tudo aquilo que imaginavas.

Sim, o amor e a paixão, limpam os teus sentimentos, deixam-te à mercê dos elementos que, às vezes, trazem em si apenas restos daquilo que nem conheces que, talvez, nem quisesses nunca saber, estar perto do teu pensamento ou devaneio. Isso era a tua voz, o teu intento, talvez lá longe se perfilassem restos de gelo descontinuados por acordes harmoniosos.

Acima de tudo, vivias numa capital inútil, o teu amor gatinhava em restos duma cidade talvez esquecida de si própria. Jardins cuidados, muitas esplanadas bem arborizadas, parques para crianças. No entanto, praticamente faltavam as estruturas centrais dignas duma capital. Um idoso, habitante de jardim e cartas,  comentara comigo em voz de alguma conspiração: jardins e crianças não fazem esta capital dum império. 

Capitas imperialis… onde andava o imperador? Alguém sabia o seu nome, a sua  aparência, onde se sentava no seu trono imperial? Faraó, César, Czar, Imperator, Rex, os súbditos tinham que saber da sua majestade, tinham de saber a quem cultuar. 

Temos  de saber a quem amamos, temos de saber quem nos governa; quem nos governa o coração, quem manda em nós.

No meu coração mandamos os dois.

Neste império, como uma velha, decrépita e a fluir por si abaixo, nada se mantém, e as apostas, ensurdecedoras, buscam o final de Capitas Imperialis… há tanto tempo que busco esse término e ele teima, teima muito em não vir. 

Sento-me e espero:

- por ti no meu colo

- pelo apocalipse imperial


A um deles testemunharei…


(foto do autor) 

Sent from my Freewrite

 November 7th, 2022   Page 1 of 1

Etiquetas: , ,

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

K

Meu amor

Meu amor,
tem a casa limpa,
o ar lavado,
os lençóis prontos
para quando eu voltar.
Partirei assim,
amortalhado
pelas tuas mãos,
pelo teu carinho...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

K

Pegasus


 Eram os bastidores,

as asas fixas ao solo, vendas grisalhas, na sedução dos ares... Por que não estreitaste o focinho céus acima?

Onde deixaste o enamoramento?

O amor pelo elemento gasoso?

Pela antiga janela por onde espreitam

coisas antigas, velhas e antiquadas,

janela empoeirada longe da vacuidade

dos tempos,

das fraquezas,

da altivez de quem acha que comanda,

de quem pensa que está aos comandos

de algo,

mas de que coisa?

Ah! Esse focinho céus acima!

45o, ou mais, de ataque,

o gosto de ganhar

a Deus, o Seu espaço, o Seu domínio,

guerrilha vectorial, triplo componente.

A altitude é tua amiga,

números embriagantes,

o azul abraça-te,

o lá embaixo diminui

assim, velozmente,

violentamente,

varado num assombro

másculo, mas silente.

do lado de fora:

MIKOYAN GUREVITCH MIG-31


--

Sent from my Freewrite

 December 16th, 2022   Page 1 of 1


Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

K

Rosa


 Rosa 

25/07/1935

06/11/2024

Homenagem singela a quem viveu simplesmente e deu o seu amor a todos os seus.



Foto do A.

Etiquetas:

sábado, 3 de janeiro de 2009

K

... feixe...


...enquanto, contritos,

contemplamos o solo de nossas vidas,

tridimensionalmente ocas,

a luz do perdão penetra-nos,

humilde,

lenta,

suave,

tranquilamente,

quase em ar de desculpa;

lá fora,

os campos são fecundados

pelo amor da enxada,

pela força do camponês,

pela Graça do Senhor.



(inspirado num poema de Graça Pires)


(imagem retirada da net)

Etiquetas: ,

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

K

12º Concurso das Palavras

Ainda em vida
toquei na velha flauta,

cantata liberta

de longos véus escuros.

Já não há maldição;

espantaste todas as vitualhas,

todas,

pelo meu salão escuso.

Amor?

Fugidio,

nem se lhe sentiu a sombra,

nem simplicidade naquele olhar,

escorregadio de coragem, em renúncia.

(…)

Ode à orquídea!

Ao beija-flor que a resgata,

entre dois sulcos de brisa!

No redondel do olhar,

foi tão só um benjamim

ascenso de si,

apenas,

naquele meu salão escuso.

Partilha a tua boca,

apenas.

Tecer frases feitas

é um caminho de tortura,

sem bermas.

Verdade sem tristeza,

por onde, vida,

nos levas,

em melodias

de trevos e vielas?…

(poema com que participei no "12º Jogo das Palavras" organizado no blogue Eremitério. Bem-haja pelas suas iniciativas)

Etiquetas:

segunda-feira, 20 de abril de 2009

K

Escritos da Casa VI

Um caminho mal atalhado no meio de roços, flores espinhentas. O atalho estava numa bússola louca, num caminho tão bem desenhado, um esmero em cada traço micrométrico.
Rastejar, sentir o roço das gravilhas, calçadas, ramos; sem ver o fim do princípio, o fim de nada, átomo, sequer de uma esguia fumarola de medo.
Cotovelos, joelhos, botas esmagavam-se sortidas num corpo que já seria um resto de absurdo insecto. Havia apenas a postura mental que lhe forçava a espinha, numa tala vertical roçando deuses feéricos, não habitando ainda as entranhas dos humanos.
Sim, o caminho. Não esperava uma mão, sequer, dos seus deuses. Aconchegava-se na sua adoração, no amor de cada homem. Egoístas. Talvez a resposta venha dos ressentimentos.
Mas agora, o caminho. Não ficaria ali, na casula, de restos de bosques que ia vestindo.
O sol de Inverno foi cobrindo um sorriso, uma posição abençoante. Dar e receber do seu peito fora, enfim, a sua rota, ponto de partida.

domingo, 3 de dezembro de 2023

K

Cresce

 

flores de rua em contraste

Um dia,
uma tarde,
pegarás no teu futuro:
a criança,
teu primeiro amor
inesperado,
por isso imenso,
por isso tua/nossa
vida plantada,
lembrança
deste adeus,
farol
transporte de um nome,
tão depois de por aqui passarmos,
(...)
Vida Bendita,
Céus de Aço,
Marcham abraçando secas, Alvas Almas
em Caminhos que pertencem ainda a Iago,
Santo Súbito de Causas Maiores.
                        Ocasos
                      Ocasos
                    Ocasos 
                  Ocasos
                Ocasos
              Ocasos 

         
Ler mais »

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

K

Tua


A tua doidice
O odor,
A textura
Do teu sexo
As estrias de prazer,
Os holofotes da loucura
Tudo se aclara
Para seres minha
Posse fábula
Posse conto
Posse verso
Toda reclinada
Sobre uma paixão
Já acesa
Todos os teus membros
Enlaçados,
Na lenta escuta
Da madrugada
Que teima em
Unir nossas almas,
Mais do que nossos corpos,
Pois dia a dia tão colados
No grude do amor
Que não conhece ocaso…


Foto do A.

Etiquetas: ,

domingo, 2 de abril de 2023

K

Solstício em Março… em Setembro.









I


Os amores

Enlaçam-se

Beijam-se,

Sugam-se,

Voracidade

Canibal,

A fúria da

Faca aguçada,

Empernam em

Bailado emplumado,

Velhos dossiês

Capas rasgadas

Arquivos de amores falsos

Longos como

Sebes saltando

Como mulheres sadias e, afinal,

Tanto Amor

Enlaçado,

Voraz,

No entanto,

Todos distantes

Pelos restos do

Solstício…..


(Foto do autor)

(Texto publicado originalmente, com alterações, na minha página de Instagram)

Etiquetas: , , , ,

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

K

Retrato

A gosto
sorriu,
a boca semiaberta,
uns dentes quase sedutores,
faiscantes.
O amor, para ela,
fora sempre um caminho recto,
tombado,
orlado de flores, comodidades…
alguma solidão, certamente,
mas nem um desgosto.
Não era bonita:
o sol de Agosto reflectia,
em jeito de troça,
um brilho incerto,
nos seus cabelos;
os olhos,
beges,
nada contrastavam
com a sua tez.
E o riso? Gargalhadas trémulas,
em jeito de guincho simiesco.
A contragosto visitava-a:
Era muito azarada ao póquer!

(publicado em 77 palavras
Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTOA GOSTOA CONTRAGOSTODESGOSTO)
(fonte da imagem:

Etiquetas:

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

K

Outono

Só mesmo um louco
içaria as velas da alegria,
as torrentes frescas do amor;
só mesmo um louco
iria à procura dos ventos
que trazem os teus olhos;
só mesmo um louco
escreveria o teu riso
e arquivá-lo-ia
entre as poeiras,
os dísticos quentes
deste vagaroso Outono. 
(fonte da imagem:
http://www.alaska-in-pictures.com)

Etiquetas:

terça-feira, 13 de novembro de 2018

K
Disfarçava a sua total falta de competências sociais usando calças largas e ténis de sola grossa. Parecia alta, ostentava sempre um ar sério, não gélido, talvez distante.

Não era bonita, nem sequer gira. É provável que desejasse marcar presença pela pose; conseguia apenas mimetizar-se, fundir-se na atmosfera, ser apenas a moça das calças largas, dos ténis gigantescos. 

Uma só vez: a vi agradecer, a vi seguir alguém com os olhos, a senti morrer de amor. 
#77palavras #prettyfright #forgetmenot #howmany?

Etiquetas: , , ,

terça-feira, 15 de agosto de 2006

K

...de Lua

Frondosas, verdes,
espraiam-se pelos regos da Lua.
Cálidas negritudes,
alvos amores
que se transgridem
e pulsam,
inquietos,
pelos ramos
que, tão verdes,
ironicamente
se encestam
colina acima.
Voltam,
ofegantes de tanto se espraiarem.
A relva acolhe,
tudo acolhe
com o seu rir verde,
quase ansioso
pelo amor tardante,
que teima,
fulgurante,
em não vir aos regos da Lua,
às frondes
que, de tanto aguardar,
se esbatem,
se quedam...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

K

A rua do quiosque










Sonhei uma álea,


quiosque de pastiches,

tinta-da-china,

linha quase dolorida.

Ao canto, numa frinja,

entre dois leões escapados do pó,

uma água-furtada espreita.

Para nada ou ninguém.

As quatro pessoas não passam;

sorriem ao nada,

ao infinitamente branco

dum enquadramento alegre,

entre gargalhadas espumosas.

Sempre sonhei assim a minha rua.

Qui-la assim,

assim ma deram.

Possuo-a

como o dedilhar,

amoroso, filigranado,

do mestre guitarrista,
na ternura envolvente do seu amor,

nos olhos que soerguem aquela álea,

a semiabrigam do sol,

lhe levam gotículas de água,
e suspiram de enlevo.
(retirado do blogue em que participo gps-poetasdomundo.blogspot.com)

Etiquetas: ,

"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

eXTReMe Tracker
online