terça-feira, 24 de novembro de 2009

nortada

Pelo Norte,
as calotas,
entre frémitos de quietude,
na gulosa angústia dos sentidos,
sonhavam os hemisférios,
entreabertos num só corpo
caloso;
os caminhos estorvavam-se,
nas pederneiras ecoantes,
as vozes frígidas,
os suspiros em gotejos,
cintilavam no pensamento,
naquele Norte
esquecido das sibilas,
dos funâmbulos até,
onde o musgo
tão travesso até aí ,
cabisbaixava-se,
pedinte,
pela sua medra.
Lagos pétreos,
luas dissipando-se,
claras,
migravam o gesto,
o azul férreo,
do Grande Norte!

(imagem retirada da net)
(poema publicado simultaneamente no blogue GPS em que participo)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

encantos

Nos velhos altares pululavam deuses, tão sacros, decadentes,

tão decrépitos,
que se desvaneciam, já,
as suas vestes,
de maresia salpicadas.
Sacerdotes, trôpegos,
ainda oficiavam,
espalhando incenso,
salmodiando versos inaudíveis,
em línguas encantadas,
esquecidas,
fluidas,
mescladas de ontem.
Balbuciavam encantamentos,
encantos adentro
da flor do tempo
que ressaltava,
voraz,
no pó vetusto
que a cobria,
na secreta,
oculta noite média.











(imagem retirada da net)
(poema retirado do blogue
GPS em que participo)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


quando me revi,
em sonhos,
máculas fugidas
em passos ridentes,
já a minha imagem
se alegrara no tempo,
medida da sua fuga
ad aeternum...

o passado
destilara restos de areia
em vales sonantes,
quartzo fumado,
gotas funéreas;
já o plangor,
entre frestas
sobrara...

sabes?
tu não serás
a justa medida,
o bronze funéreo,
o ser;
estão-te guardados
estios e sóis de vento,
na inquietação doce
de um luar de Maio...

(inspirado em moriana)
(imagem retirada da net)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

pul(e)so

Quero que o meu pulso, o meu punho,
digite a letra,
a palavra perfeita,
o verso.


Quero que o meu pulso,
o meu punho,
gire a bandeira
do homem, da canção,
do riso.


Quero que o meu pulso,
o meu punho,
se abra em mão estendida
cálida,
em cálice de vida!


terça-feira, 17 de novembro de 2009

escrevo










escrevo em jacto, num sopro;
esqueço a lima, a borracha
a correcção cuidada,
tudo sobra....
faria tanto
para ter a escrita limpa,
em dia,
linda!
(ou não)
e a simetria do esforço,
o estilo assoberbado
(e injusto)
leva-me as palavras,
o verso,
para longe dos meus dedos,
na distância áspera
de quem lê.

(imagem retirada da net)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

chamas



vejo e revejo a lua
que sobra pelos dentes dos claustros;
os olhos mascaram-se de luz
e as sombras esquivam-se
à deriva nos mares da noite;
ouço as labaredas,
vejo-as
no sonho da minha pele;
...e o espanto
inunda toda a escrita,
no vaguear flutuante de ousados espectros.

(inspirado em marés no seu blogue
marés de espanto)
(imagem retirada da net)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

hesitei,
quando da espera
já nada se esperava,
os meus olhos entreabriram
o leve aspirar da demência...


(imagem retirada da net)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

(as)cese


Renunciaste ao tempo,
às dunas,
ao sol até.
Que será do teu caminho,
neste abandono ascético, 
quási
s
  i
   m
       é
         t
        r
      i
    c
 o
 ?

(inspirado num poema de Nilson Barcelli
publicado no seu blogue nimbypolis)
(imagem retirada da net)