domingo, 29 de março de 2009

K

Um triunfo

(imagem retirada da net)

Se morresse agora,
seria mais um pião

girando em pós

de sepultura.

Faria uma festa,

um alegre triunfo,

todavia solteiro,

naquele sonho dependurado.

Seria como se fosse

aquele último dia,

mais esquecido,

estonteante,

em malhas de pião,

de meninos antigos,

calções e chapéu,

esquecendo-me,

levando os despojos

de uma funérea "garden party".

(inspirado num poema de moriana)

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sexta-feira, 27 de março de 2009

K

escritos nas janelas

Escrevo para me não esquecer
que devo escrever.
Raspo o suor,
escorro-o sobre as letras,
escavadas.
Ainda não encontrei a palavra,
a maldita, mal dita palavra.
Sobro-me: entre dois pontos,
uma vírgula ou um ponto final.
As mãos, a cabeça,
ferem-se duma esmola
de expressão.
O português foge-me,
escapa-se-me entre dois,
três dedos.
Remiro,
vejo e revejo.
Onde está o que desejei?
O início?
Par de bandarilhas, uma pega de caras,
eis tudo.
Uma vaga volta à arena,
sem triunfo ou ânimo, talvez.
(...)
Eis-me aqui.
Todo.

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domingo, 22 de março de 2009

K

caminhos

Ter sentidos em afecto impressos;
escalar o momento da avareza
numa multidão de algas soltas,
cor de chegada a uma gare esquecida.
Sim, vi os carinhos
entre ruídos infernais de carruagens,
limos esvoaçantes
entre quaisquer alavancas para o dia.
Era noite ainda,
e os restos de sargaços eram trazidos
pelo vai-vem das máquinas
em deslizes faltosos,
nas linhas
que me segredaram ser da vida.
Esperei.
Soube que nas minhas palmas
se estendiam afagos sem destino,
avaros,
ínvios,
invictos na sua cruz.




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quarta-feira, 11 de março de 2009

K

poema em enredo

(imagem retirada da net)




(...) encontrar um poema


nos bolsos duma gabardina amiga.


Entrevê-lo entre duas gargalhadas,


ao entardecer d'avenida,


entre pombos e migalhas.


Vislumbrar o poema,


ingeri-lo de cor,


derramá-lo em cascatas.


Circulará hoje esse poema?


Fará leitura geográfica


em cátedra impante?


Ou será um bilhetinho,


passado à socapa,


entre dois trejeitos


e um bafiento sorriso?




(inspirado em moriana)

domingo, 8 de março de 2009

K

entre

Entre dois pingos de água,
sorriu um lago.
Entre duas lágrimas,
sorriu a esperança.

(...)

Entre dois pensamentos,
surge a amálgama
do desespero.

sexta-feira, 6 de março de 2009

K

sacrossantas mãos



Por mil vezes que partisse,
bornal entrelaçado nas espáduas
(cálidas, quase vãs),
por mil vezes que voltasse,
litúrgico acto de despojo ,
nada me reconciliava
com a tua fronte longínqua, genial
(dizia-se…).
Um bornal,
ciclicamente desnudo,
um acto de pobreza,
uma ausência de abraço
terno, fácil.
Teus dedos finos
tanto se erguiam,
que refulgiam o divino.
Envolviam-se, então,
em tão veras crenças,
quantas as vezes em que meu bornal
marchara na sua muda obediência.

Prudentemente,
escassamente,
sorriste-me.
Meus lábios iniciaram a partida, então.
Meu bornal, agora completo,
agora leve de si,
encetava, o curso
da pobreza,
da obediência,
de uma castidade
(fidelíssima afinal...)



(imagem retirada da net)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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