sábado, 25 de junho de 2011

LIMITES

É no efémero,
na luta desigual,
no esconder da arma,
no deslizar da mão
pelo veludo da escória,
que enlaço o tempo,
ato os atacadores das ideias,
e olho em frente:
as tabelas,
as palas,
os limites,
as fronteiras,
esvaindo-se
orgulho acima...

esta guerra oculta,
tão incerta,
arrepia-me,
afoga-me a garganta,

num jeito de catástrofe anunciada
















"Pelo meio dos saberes
procura, diligente, 
o caminho;
não te deixes limitar pelo
vão exercício da tua vontade"
(fala de Dioniso a Hepátia)


(fonte da imagem:
http://www.flickr.com/photos/formfaktor/)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

LINHA INFINITA

(...) e tudo me espanta:
o horizonte limitante,
as muitas águas,
o meu corpo cego, até,
a vaga agonia
de uma visão inacabada,
ainda...
regresso ao tempo finito,
ao resíduo desigual;
corpo ambulatório,
no retorno,
na promessa
consumando-se...
... lento

(a partir de um poema
de moriana, editado no seu
blogue moriana2)
(foto do autor obtida com
telemóvel:
cais das colunas-Lisboa)

terça-feira, 14 de junho de 2011

(...)


Vem!
Fala-me das palavras
que escreveste,
das luas que entretiveste
na obliquidade do teu colo.
Não te fiques
(olhos vazios no termo da espera),
não resgates as sílabas,
as vozes das palavras,
os signos;
vem,
simplesmente...
"Nos despojos da tua espera,
podes ter buscado o sentido
da cilada. Haverá dias, no
entanto, em que a solidão
te abençoará."
(Fala de Dioniso a Édipo)

(fonte da imagem:
http:/wikipedia.org/)

terça-feira, 7 de junho de 2011

de par em par

A contradição atrai-me,
em trejeitos de loucura e verve,
e em semi-sorriso admiro:
- o vento,
 - o torpor doce, melancólico,
o vago prazer da dor escorrendo
 - o espreguiçar-me pelas encostas 
já ceifadas em canas quase fulvas,
- as janelas semi-abertas ao dourado,
à despedida do calor que as usurpava,
- as folhas que embalam baloiçando
 no esquecimento da areia que zurzia e esfolava.

Amo o suave oscilar do Verão,
que entre a vigília e o claro sono,
     numa vil, pastosa estagnação
gera um suave, tranquilo Outono.


"As Palavras não são tuas;
no entanto, na tua usurpação,
fazes delas Céu e Inferno;
usa-as, pois, com parcimónia,
para que os outros vislumbrem 
apenas um pedaço de Paraíso,
ou um fugidio relance dos Abismos."
(Fala de Dioniso a Homero)

(fonte da imagem:
http://www.plantasonya.com.br/)