terça-feira, 15 de agosto de 2006

K

(a Palavra...)

Persigo a Palavra,
rasgo caminhos,
trilhos.
Ofego,
ardo por ela.
Busco-a
com a dor
da desesperança!..
K

Prisões

Há uma sombra
que persiste.
Sobre mim pesa;
submerge-me,
qual manto maldito;
enrosca-me os pulsos,
ata-mos.
Algemas de dor,
agulhas de ferrugem,
tão afiadas
que me esmagam.
A sombra despenha-se
e afundo-me
sem regresso
ou retorno.
K

Aneluz

Aqui tão perto,
fios de luz
sorriem-me,
escorregando
águas adentro...
Perdem-se
por entre anéis,
anéis de espera.
Mergulho na luz,
tão azul,
e sou envolvido.
Levam-me ao fundo
pintalgado de sombras.
Abro os olhos
na solidão suprema.
E a majestade das águas
recolhe-me,
qual pétrea memória...
K

...de Lua

Frondosas, verdes,
espraiam-se pelos regos da Lua.
Cálidas negritudes,
alvos amores
que se transgridem
e pulsam,
inquietos,
pelos ramos
que, tão verdes,
ironicamente
se encestam
colina acima.
Voltam,
ofegantes de tanto se espraiarem.
A relva acolhe,
tudo acolhe
com o seu rir verde,
quase ansioso
pelo amor tardante,
que teima,
fulgurante,
em não vir aos regos da Lua,
às frondes
que, de tanto aguardar,
se esbatem,
se quedam...

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

K

Prostração

Cansaço,
tristeza.
Céu pardo,
escuro.
Nada vejo
para lá
da minha pele.
Em círculos,
a memória nada traz.
Cai-me o pano,
negro.
Cerro os olhos,
marejados.
A parede
estende-me seus braços;
enterro-me pelo chão.
Curvo a cabeça,
arrependido...
fecho-me os braços
e espero.
Lancina-se-ma a garganta,
seca de não gritar
a tantos ventos
o meu querer feroz,
animal.

Deixem-me!!!
Deixem-me práqui!!!

Eu sonâmbulo de mim,
nada mais quero...
apenas,
o passo desejado...

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

K

a porta da m...

K

m...

Estendo-te as mãos...
Esperavas-me...
há muito.
Espiavas-me,
esgueiravas-te.
Com paciência,
em sussuros apenas teus;
aguardavas-me.
Lambias tuas mãos,
que iriam segurar minha cabeça.
Teus olhos cavos
preparavam a estocada final.
Em cada esquina
ias mirando meus passos,
quase seguros,
quase esquecidos de ti.
Até que, ao tropeço,
te estendo as mãos,
recordado
das suaves dores que me trazes,
tão seca, inominada.
Desenvolta,
carregas-me,
sinto teu corpo;
gélido sempre.
Deixo-me ir.
Anunciada estavas,
(havia muito...)

sábado, 5 de agosto de 2006

K

Sweet, lovable Fall

O Outono
habita-me desde que me sei.
Envolvo-me em folhas
que se separam,
como pedaços de mim.
Curvam-se as canas,
a um vento chão,
ainda cálido,
como meu murmúrio.
Um Sol vai caindo,
e meu coração
despedaça-se
nas chamas que o acompanham.
Algures em baixo,
a minha sombra cresce,
é a manta que me cobre,
os olhos que se fecham,
a suave tristeza,
o doce estar só...
Um Outono que fica,
sem memória de Primavera...

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

K

parede

A parede especa-se-me,
imóvel,
parda.
Acima,
um céu anegrado,
sublime,
triunfante na sua turvez;
torna quase alva a parede.
Olho-a.
Desafia-me.
Baixo o olhar;
as mãos estendem-se-me
inexoráveis...
chumbo,
sempre chumbo...

"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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