sábado, 28 de abril de 2012

K

Estímulo visual


Terminou a batalha. Abatido, o general ordenou a retirada.
          Os soltados foram carregando os camaradas, foram carregando o que podiam.
          O céu fechava-se num negrume mais escuro do que as almas escuras daqueles soldados.
          A retirada era lenta, pastosa até. Por penhascos pretos, atrás e defronte despontavam arbustos com arestas vivas como baionetas.
O velho general, perdida a altivez, procurava manter a postura à frente dos seus homens que se arrastavam em silêncio. Lá mais para trás, alguns oficiais tentavam fechar um cortejo fúnebre, funesto.
          Jean-Loup, um dos soldados mais jovens, lembrou-se de algumas palavras que ouvira há muitos anos atrás numa taberna à beira da estrada: “por ínvios caminhos, caminhais sozinhos, apenas com uma direcção, com um só sentido…”. E chorou, chorou por todos aqueles anos que Napoleão lhe roubara ao forçá-lo a pegar em armas, contra si próprio, contra a sua amada França!

(fonte da imagem:

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sexta-feira, 27 de abril de 2012

K

Napalm

Sempre que o teu sorriso crepita,
entre os arrozais plana tal paz
que nem o Napalm inquieta....

(fonte da imagem: http://noivafajuta.blogspot.pt/2011/10/nosso-roteiro.html)

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terça-feira, 24 de abril de 2012

K

solar


Duas horas.
Os campos abrem caminho
por entre o canto das cigarras.
O ar treme, vazio de pó,
e é esse deserto que o Sol assombra.
O grito encova-se
na inutilidade,
no fardo daquele dia.
Duas e meia.
O suor secaria nas têmporas,
se não houvesse deserto
e o canto das cigarras.
Três horas, quatro, cinco.
Quando os azuis se encontram,
o horizonte salpica-se de infinito,
e é nas gotas de suor
que não brotaram
que floresce este Alentejo,
para além do Tejo,
para além de mim!

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

K

queda XXIII

Tudo está estranho e rosa.
Já a Mãe de Todas as Guerras fugiu,
ficaram o sal e a poeira embutidos.
Já não partem mais jangadas,
o futuro já nem se joga,
o nevoeiro vai baixando
e os soldados enterram as armas,
entre suspiros conformados.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

K

liber(i)dade

Falaremos outro dia,
falaremos
quando a brisa da tarde
for mais tolerante,
quando as folhas da manhã
forem mesmo vermelhas,
quando os velhos olharem o Sol
com a parcimónia de quem sabe.
A minha voz há-de fundir-se
nas cristas que o tempo tem,
entre risadas infantis,
entre vibratos subitamente
lívidos de mel escorrido.
Quando te falar,
a tua voz cruzar-se-á
com a minha,
e ambas pronunciarão
as cores de um tempo novo,
em que, só em Liberdade,
as palavras serão gente!
(fontes das imagens:

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

K

incerteza

Hesito,
e é na reticência 
que me agasalho.
É nebuloso o sonho
e urgente a magia:
talvez seja hoje
que as minhas palavras
inquietem as ervinhas
do teu abraço.
Regresso,
na hesitação
dos passos
em que ainda me perco.
Agora,
estico o braço
que entra pelo amanhã dentro,
e retorno
ao fim,
ao limiar
da manhã de Adão.

(fonte da imagem:
http://www.google.com/imgres?hl=pt-PT&gbv=2&biw=1117&bihhttp://www.google.com/imgres)

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

K

lobo do Homem

Conta as nuvens,
inquire os céus,
abraça o Sol,
afaga a Lua.
As estrelas até
podem celebrar
a tua ausência,
não importa,
é o teu rosto
que imprime
o teu saber,
as galáxias
por ti
desenterradas,
pó de lembranças
que nem as águas
conduzem em si.
Mergulhas-te,
excedes-te,
forças o vento
até o desviares,
e soergues-te,
no horizonte,
no plano
em que buscas
a cisão,
raça de Homem,
apetite avaro!

(fonte da imagem:

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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