sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Exmo. Sr. 
Em nome da comissão da 
V Antologia de Poetas Lusófonos 
agradeço a sua participação.
Tenho o prazer de informar
que os seus poemas 
"Quando tiver tempo", "Prostração", 
"Se tu..." e "liber(i)dade"
foram seleccionados para fazerem parte
deste projecto lusófono.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

estupros


Já me esqueceste?
Já te sobrou o tempo
da diáspora,
do revés sentido?
Já não lembras
o que fomos
ou que iríamos ser?
Onde estão os campos,
as árvores,
os frutos?
Ou será 
que o teu esquecimento
os varreu 
para debaixo da memória?
Sei que o vento deixou
de trazer os aromas, 
os pólens de outrora.
Sei que as sementes
se dispersaram
numa fúria esganada,
própria de apocalipse.
Seja maldito o teu desprezo,
a tua mágoa só gera 
vagas de extermínio,
regos de engano...
Mil vezes ergui o punho,
e mil vezes o baixei,
os meus pés,
fincados na lama,
raízes de um tempo
ainda solto...

("Deixa que o tempo
faça o seu trabalho,
que as rugas se apoderem
da tua ansiedade;
verás que, distantes,
os cuidados mirrarão."
Fala de Esculápio a Éfire,
seu discípulo)

(fontes das imagens:
1ª http://blog.earthfriendlyseeds.com/
2ª http://www.azgs.az.gov/)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

indiferença

Joan Miró. Drawing-Collage with a
 Hat.
Nada me interessa já;
agora o tempo desliza
compacto,
em torrentes de névoa;
o vento faz por soprar
restos de tábuas
já amarelecidas,
recordações
navios esquecidos.
 
Nada me interessa já;
se estou à janela,
o tempo marcha
numa coluna
de estropiados,
restos de homens
que foram
milícias de um povo
que já os esqueceu;
 
Nada me interessa já;
onde as árvores
se avistam,
onde a terra se faz céu,
tudo adormece,
na tranquilidade
de quem
pouco sabe,
de quem ainda é.
  
Hoje,
houve camponeses
sem pão,
operários sem féria,
pescadores sem peixe.
Hoje,
a fome sentou-se
a muitas mesas.
Hoje,
já nem as palavras,
nem os comentadores
consolaram fosse quem fosse.
Assim,
penso ser honesto
quando sussuro em surdina:
"Nada me interessa já".
("Não brades aos homens,
sobretudo aos que te governam;
na tua serenidade povoa os teus
pensamentos de imagens felizes;
cairão nas suas palavras mais cedo
do que imaginas."
Fala de Tácito a Bruto,
antes do punhal)

 (fonte das imagens: