sábado, 26 de abril de 2014

palavra


Hoje
queria que a palavra me bafejasse,
que a frase fosse um só sentido único,
que te atravessasse,
se escondesse,
e em ti ficasse,
num efeito luzente, quase cénico.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

allegro?

Hoje,
as palavras sabem a cardos,
deslizam pela garganta
(pausa poética)
e é no silêncio que se aninham;
os trovões não se imiscuem pelas árvores,
o restolho ergue-se,
e os cardos voltam a triunfar; 
as palavras
(pausa poética)
são como sementes de trigo,
- pão antecipado -
e o silêncio embrutece os longos dias,
salpicados de janelas entreabertas,
de contraluz e de pó cobrindo os sentidos.
É uma santa quietude,
um elo que os cardos
unem:
sofrimento,
tristeza,
mudez.
(pausa poética)

("Evita os homens que não sabem rir,
os que querem assombrar-te 
com as suas palavras cinzentas.
Há divertimento nos números, nos ângulos
é belo o teorema que leva o meu nome..."
Fala de Pitágoras a Andrócles seu discípulo, 
após a descoberta)
Fonte da imagem: foto do autor
obtida com telemóvel