domingo, 25 de setembro de 2011

K

(c)activo

Se não estivesse cativo,
preso nos enleios ardentes,
talvez caminhasse, solto,
talvez estivesse longe,
os cabelos flutuando nalgum Egeu,
entre sereias, talvez;
assim, cativo, preso, enredado,
não tenho como soltar a mente,
os pulsos, até;
até me pode chegar a maresia,
mas os pináculos apresam-me,
qual fera desleixada, 
esquecida na armadilha.


Se não estivesse cativo,
preso nos enleios ardentes,
talvez brincasse com as tuas mãos,
talvez mais perto de ti,
teus cabelos procurando o Egeu,
serias sereia, talvez;
só que assim com a mente nos punhos,
com a boca em esgar de trovão,
não tenho como te soltar;
quem sabe?, poderia chegar-me o teu aroma,
mas sabes?, não tenho como chegar-te,
sou um esquecido do tempo,
esquálida figura sombria.



Como estou cativo,
preso nos enleios ardentes,
apenas ergo as minhas mãos,
já esquecida a prece, 
ou o rodeio,
e aceno-te delirante,
na certeza das tuas mãos,
que,
brincando com as minhas,
trazem a madrugada,
o riso da liberdade,
do desprezo
por aquela que me subornou os sentidos!


(fonte da imagem:
http://integrallife.com/)

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

K

velada

Vem,
meio escondido
entre as urzes,
pelos arbustos de anoitecer,
no canto malhado
que há na recôndita memória,
ai vem ele,
passos entre a folhagem,
o sorriso absorto
entre réstias de sol
dourando o esquecimento
de um Verão que calcou os dorsos;
fez a sua entrada 
em movimento discreto,
sempre entre 21 e 23,
sorrindo às marés,
às noites crescentes.
hOje, criei
um pequeno
trilho, um traço apenas,  
onde 
nasceu a 
hora contradançada que me inspira e leva

(fonte da imagem:
van Gogh: "Paisagem de Outono
com quatro árvores")

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

K
filho do vento
Se bateres palmas,
já o meu juízo se terá ido,
e as planuras em que me debato
serão, para ti, escuros vales
em que assinas o teu destino.
Vogaste por entre as brisas,
os escolhos do tempo,
viste cacos da Terra
a que deste as boas-vindas,
sorriste ao Sol e à Lua,
perdeste as tuas presas
e ganhaste mãos que acariciam.
Hoje, no convés onde te abrigas,
observas o vento, outra vez,
e sorris,
pois sabes que,
mesmo sem juízo,
coloco em minhas mãos
o trilho do regresso...
(fonte da imagem:

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

K

umas linhas

Caríssimo!
Tive hoje a tentação de te escrever num escrutínio cego e inconsequente. 
Daqui vislumbro o Tejo e a sua ondulação simula o meu bem-estar; não, não me sinto oscilante, antes preso, atracado. Mas de que te interessará o meu bem-estar? Deves viver embrenhado no teu próprio novelo, aquele que tens vindo a "tecer" laboriosamente, na busca do silêncio e do calafrio.
Lá fora a palavra "crise" escoa-se pelas frinchas de tempos cada vez mais de ontem. É um sopro irritante, lembra os "westerns" quando, para indicar uma cidade morta, se atiravam arbustos secos - pelos planos mais próximos - acompanhados de um silvo: é esse silvo, essa agudeza, esse gume faiscante que procura cindir cada cérebro, cada coração. E há quem se deixe embalar por estas torrentes da catástrofe!
Soube hoje que as nuvens do Norte dissipar-se-ão com um gesto ritmado, uma prosa solta de gana e garra. Só faltam as vozes, os ânimos. 
Vejo a tua cara, olhos miudinhos no excesso de compreensão e falta de coragem de sair de ti próprio. Deixa! Têm de ficar alguns para que outros vão.
Vejo também esse teu abraço na espera, na rosácea vaidade que me inunda.
Espero notícias tuas e do teu jardim secreto.
Aperto as tuas mãos com calor.
J.

(imagem do autor obtida com telemóvel:
"nuvens sobre Mortágua")

domingo, 4 de setembro de 2011

K
ORQUESTRA AO FIM DO DIA

o vento sussurra lá fora aquilo que me vai cá dentro...
enquanto caem as folhas, abato-me sobre o meu peito,
nem a brisa nem os meus olhos descansam, vagos,
rodopia a areia jacente no solo, o sorriso foge-me,
acho que há pequenos tornados e, abatido, observo
os cones baixos, insignificantes migas de Natureza,
e o céu quase solidário oferece os braços das nuvens
num desejo de ascensão salvífica,
num rodear de mastros antigos,
firmes num mar ansioso,
albergues esquecidos,
chiando lúgubres
num passado
já gasto
(foto do autor obtida com telemóvel, 
"nuvens sobre S. Martinho do Porto")

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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