sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

(???)


Tão perto

e o outro

vai-se esfumando,

a memória

já não lhe toca.

Há outros cheiros,

há outras cores nos ares;

olhos vidrados no nada,

pendurados em ninguém,

presos aos olhos

de quem passa,

silenciosos

revirando o chão.

Amor é nada,

vai,

deixa, deixa o obscuro gosto,

da ausência;

amor é nada,

deixa o travo da espera,

do frio nos braços

entrelaçados

em si.

Amar,

é amar o que não foi,

a fantasia,

o querer,

querer que o outro

fosse o que não era.

O amor sempre partiu,

numa fuga

infame.

(...)

Amor?

Melhor o frio

sem memória...
(a partir de um pensamento de blindness)
(Fotografia de J.N.)

7 comentários:

Blindness disse...

O amor, quando não é obcessão, deixa uma lembrança quente... por vezes essa lembrança pode apertar ligeiramente o coração, mas se fosse assim tão mau já viviamos de portas fechadas para o mundo há muito...

Jaime A. disse...

Querida blindness:

O amor até pode acabar "por acabar", deixar uma lembrança que se esfuma; outras relações, por serem menos "exclusivistas", tenderão a perdurar mais. Na sua volatilidade e posse é que o amor se perde. Que achas?
Beijos

Blindness disse...

Mas quem somos nós se, num qualquer momento da nossa vida, não tivémos alguém que nos achasse seu e a quem nós achámos nosso?

Essa exclusividade... esse é o fim, as relações não devem ser exclusivas, não podemos ser exclusivamente filhos, irmãos, namorados, a nossa vida é um interlaçado de relações, umas mais próximas que outras mas nenhuma delas deve ser exclusiva, somos afinal de contas um ser social, sedento de relações com os outros...

Jaime A. disse...

Penso que esse é o toque a finados do amor: "tu és meu, tu és minha". Não pertencemos a ninguém e quem se lembra disso? Na sofreguidão do amor, a "propriedade" causa mazelas profundas, porque não sabemos mover-nos na liberdade que é nossa, por dever desta relação. Que resta então? Não sei.

PS - adoro os teus comentários. Incentivam-me à descoberta da palavra, da ideia.
És sempre muito bem-vinda.
Um beijinho

barb michelen disse...

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marisa disse...

ai o amor...tanto ja se disse e tão pouco fertilizou.
Bonito...parabens!

Jaime A. disse...

O amor só fertiliza quando realmente existe. E isso quando será?
Grato pela tua visita e comentário.