segunda-feira, 20 de abril de 2009

Escritos da Casa VI

Um caminho mal atalhado no meio de roços, flores espinhentas. O atalho estava numa bússola louca, num caminho tão bem desenhado, um esmero em cada traço micrométrico.
Rastejar, sentir o roço das gravilhas, calçadas, ramos; sem ver o fim do princípio, o fim de nada, átomo, sequer de uma esguia fumarola de medo.
Cotovelos, joelhos, botas esmagavam-se sortidas num corpo que já seria um resto de absurdo insecto. Havia apenas a postura mental que lhe forçava a espinha, numa tala vertical roçando deuses feéricos, não habitando ainda as entranhas dos humanos.
Sim, o caminho. Não esperava uma mão, sequer, dos seus deuses. Aconchegava-se na sua adoração, no amor de cada homem. Egoístas. Talvez a resposta venha dos ressentimentos.
Mas agora, o caminho. Não ficaria ali, na casula, de restos de bosques que ia vestindo.
O sol de Inverno foi cobrindo um sorriso, uma posição abençoante. Dar e receber do seu peito fora, enfim, a sua rota, ponto de partida.

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