segunda-feira, 20 de abril de 2009

K

Escritos da Casa VI

Um caminho mal atalhado no meio de roços, flores espinhentas. O atalho estava numa bússola louca, num caminho tão bem desenhado, um esmero em cada traço micrométrico.
Rastejar, sentir o roço das gravilhas, calçadas, ramos; sem ver o fim do princípio, o fim de nada, átomo, sequer de uma esguia fumarola de medo.
Cotovelos, joelhos, botas esmagavam-se sortidas num corpo que já seria um resto de absurdo insecto. Havia apenas a postura mental que lhe forçava a espinha, numa tala vertical roçando deuses feéricos, não habitando ainda as entranhas dos humanos.
Sim, o caminho. Não esperava uma mão, sequer, dos seus deuses. Aconchegava-se na sua adoração, no amor de cada homem. Egoístas. Talvez a resposta venha dos ressentimentos.
Mas agora, o caminho. Não ficaria ali, na casula, de restos de bosques que ia vestindo.
O sol de Inverno foi cobrindo um sorriso, uma posição abençoante. Dar e receber do seu peito fora, enfim, a sua rota, ponto de partida.

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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