segunda-feira, 31 de maio de 2010

K

digitalis

os dedos...
[sempre os dedos]
em honesta, doce melopeia,
na procura

da dansa das agulhas,
das fábulas,
remendando velas,
enquanto que o Sol descobre
[as areias brilhando]
os mistérios do mundo(...)

















(comentário a um texto de
marés no seu blogue
marés de espanto)
(fonte da imagem:
http://www.sylphe.com)

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

K

mãos...

agora as minhas mãos 
acariciam o nevoeiro,
afagam as pedras do caminho;
em trejeitos de alegria,
festejam o cálido Verão,
o teu sorriso triste,
ainda assim sorriso...
(fonte da imagem:
http://travel.paintedstork.com)

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

K

agora

Agora,
as minhas mãos mascaram-se de fumo,
penetram até às frinchas dos sonhos,
rolam por entre os últimos raios de sol,
atrevem-se pelas minhas doces memórias,
suspiram entre ais de flores bastardas.

Agora,
os meus caminhos já não te inquietam,
as minhas ilusões calam-se na noite,
os meus olhos perdem-se sonâmbulos.

Pois agora
              a rendição,
o pranto,
              a esquiva,
triangulam-se
na espera
da hora
vadia.
(fonte da imagem: http://catedral.weblog.com.pt)

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terça-feira, 18 de maio de 2010

K

madrugada

















Então, minhas mãos desertas
despojarão as madrugadas,
os restos solteiros,
as sobras límpidas.
(...)
Pelas janelas frias,
já se terá posto a Lua,
e as nuvens macularão
os vastos,
rotundos pátios,
em que esmorece a esperança,
e também a glória do não-ter-feito.
(...)
À mercê dos ventos,
as minhas mãos,
ainda áridas,
repousarão
nas ombreiras de ontem,
diluídas na suposta
frincha dos meus dedos
obscurecidos.

(imagem fonte: abcgallery.com,
Chagall: "Relógio com asa azul")

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domingo, 16 de maio de 2010

K

águas latentes

Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,

Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
(Antero de Quental, Sonetos)

Encosto os joelhos ao queixo,
as águas acariciam-me.
Pra trás, ao fundo,
entre palmeiras duvidosas,
caminhos toscos,
batem, chocalham,
as canecas da alegria
dum povo que desejo feliz.
Do poder, da posse,
apenas desejo a noite balsâmica,
fulgente,
e nas águas brilhantes,
quero a Lua pra nela brincar,
em jeito de menino,
porque agora, aos meninos,
cegaram-se as vistas;
e na minha ilha,
a oriente de todos os sonhos,
de todos as visões,
está a minha majestade ignorada,
o meu poder apagado,
a inocência diluída.

(também publicado no blogue 
GPS-Global Poets Society em que participo)
(imagem s/r)

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

K

mecânica quântica

Há, em certas coisas que me assaltam,

uma intriga de átomos
na procura quântica da sua órbita
que nem eu próprio sei esclarecer.(1)

Giro então,
na órbita esguia,
no rodopio pulsante,
em redor de mim,
num jacto cambaleante.
Atracção magnética,
giroscópio maduro,
por que vibras,
serpenteias,
nos teus níveis de energia,
paso-doble arfante?
Agora, em meio tango,
deslizas, rastejas,
enquanto lá fora,
solto-me, em meio riso,
ímpeto sereno, vago,
num princípio
de energia mínima...

(1) excerto de um poema de
Nilson Barcelli "Tocar a tua
luz", publicado no seu blogue

(imagem do autor
obtida com
telemóvel)

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terça-feira, 11 de maio de 2010

K

Equinócio

é, pois, neste equinócio
em que metade é céu,
metade escuro,
metade vida,
a outra pardo;
é, pois, neste equinócio
em que tudo é
meio
por
meio
que te entrego a minha
met
ade
afunilando os caminhos
do Inverno,
ou Verão,
dependendo
das tuas
direcções,
dos teus
sentidos
(fonte da imagem:

http://www.projetojade.com/)

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sábado, 8 de maio de 2010

K

plagiato...

à espera que a lua tenha o tamanho de um polegar em dois locais diferentes...
(texto inicial e imagem:
autoria de blindness*
publicados no seu blogue
onde me leva a corrente)


e então,

ficarei mirando
o ocaso de uma nuvem
que passa entre dois pulsares
de um coração hedonista,
na memória da manhã.
Então, talvez regresse,
e a sombra
do resto dos meus dias
more entre o Sol e a Lua,
na espuma das ondas,
serenas, esquecidas.


(*blindness, perdoas este atrevimento?)

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

K

abc

O meu indulto não soletrou
o nosso abecedário,
não vagueou pela nossa gramática,
não soube a tua geografia;
o meu indulto
só areou a nossa angústia,
na embalada esperança do devir...
(foto do autor tirada com telemóvel:
vista do topo da
serra do Caramulo)

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sábado, 1 de maio de 2010

K

chove

os pássaros recebem-na com vagar,
tem de chover
para que nos possamos despedir:
as sombras ou a tristeza
(bem-aventurada a chuva-que-não-passa...)

(inspirado num poema de marés
publicado no seu blogue)
(foto do autor obtida com telemóvel)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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