sexta-feira, 20 de junho de 2014

em preguiça



O marulhar das ondas,
a sua cor leitosa,
morna,
fecundada pela Lua,
o fluir do tempo,
o escorregar lento,
suave como os segundos
rodopiando pelo relógio:
era assim que semicerrava 
a vida,
num ciclo sem remorso…
Ao longe,
entre os recifes,
por entre espelhos de água
contidos em si próprios,
vejo todas as cores que se cruzam,
todos os restos de ocasos 
perdidos no desvario 
urdido pelas tuas mãos.
Rege, pois, o destino por tempos mais favoráveis.
(foto do autor obtida com telemóvel) 
(publicado em 77palavras)

domingo, 15 de junho de 2014

silêncio

Silêncio.
Era esse o vagar,
o marulho das ondas,
era essa posse que trazia
no meu p
              U
                 N
                    H
                 O

       e, no reflexo
de um vento triste,
        c. A. M. I. N. H. E. I.
para os teus cabelos
que juntavam vagas às marés.
Estendi-me sobre o tempo
e, na sofreguidão,
no canto voraz,
subornei os teus olhos
para ver o amanhã
e as tuas mãos sobre as minhas.















"Que a tua ansiedade seja apenas
a energia para o teu caminho. Celebra os olhos, as mãos,
toda, aquela que te for dada como companheira do amanhã.
Sê puro e não desdenhes a humildade." 
Fala de Hepátia a Anatólio, bibliotecário e viajante