terça-feira, 31 de maio de 2011

K
CTRL+ALT+DEL (2)

Percorro linhas,
parágrafos,
e não encontro o meu nome,
aliás, 
nem encontro a minha referência
bibliográfica,
nem nas fichas em cartão doce mel,
nem nas bases de dados alfanuméricas 
e alfa-estáticas,
(sou vírgula zero,
pois...)
será sorte nem existir,
nem ser vislumbrado,
ser sem surgir,
nem ter acabado;
"Poderás inscrever o teu nome num poema,
e derramares-te todo nele,
mesmo assim serão sinais,
não sentimentos,
o que os outros começarão por decifrar."
(Fala de Dioniso a Horácio)

(fontes das imagens:

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domingo, 29 de maio de 2011

K
Ctrl+Alt+Del

Corro as teclas assim,
na pressa de nem sei o quê:
abro as portas ao tempo,
o relógio terá assaltado,
até estuprado o espaço,
(na minha realidade, claro);
não há madrugadas de fogo,
nem folhas incandescentes,
nem luares de caminhos novos,
apenas as teclas,
e os meus dedos que as percorrem 
na pressa de nem sei o quê.
Recordo dias e noites,
a minha idade,
o que já terei perdido,
o que ainda não ganhei,
e sinto que as teclas
me são cúmplices,
comparsas
em textos que esqueci,
em frases que me pertenceram;
talvez este mesmo teclado,
na pressa de nem sei o quê,
oculte entre os frisos,
desejos de me ultrapassar,
de desviar os olhos de mim mesmo...
estas não sei quantas teclas,
quiçá sinistras ou risonhas,
saberão tudo o que já não sei,
terão escrito o que já esqueci,
mas também serão parteiras
de desejos que virão.

"Por muito má que seja, até medíocre, até asquerosa, é na tua escrita que te inventarás.
Lembra-te, no entanto, dos inventos que se limitaram a rastejar para debaixo das rochas do letargo"
(fala de Dioniso a Séneca)
(fonte da imagem:
http://variety-sf.blogspot.com/)

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

K

acima

Quado for esquecido,
será a vida,
serão os termos
e as condições e as coacções.

Então serei esgar,
brisa esquecida,
e o tempo será o meu repouso,
o desfraldar das minhas posses
em vagos gestos de langor...
(fonte da imagem:
http://amiral2020.unblog.fr/)

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

K

memória

Foge-me o tempo,
fogem-me as palavras,
o relógio adianta-me os livros:
fincam-se como alas petrificadas;
há um pó de tempo futuro,
mescla de desejo ou ânsia,
numa indagação resignada,
enforcando-se nos ponteiros,
caminhos de estreito infinito,
enquanto as capas,
as contracapas,
as lombadas,
me calcam numa cilada
arcaica,
em tropéis de excertos...  
(fontes das imagens:
e

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

K
EM SI

(...)
regresso ao sinistro:
a tua dor sopra trepadeiras leves;
é como as moedas
com que vou pagando,
entre dores e gemidos,
ao coração, o troféu;
foste som verdejante,
mas hoje
já nem a tua luz me sorriu;
esqueci que afecto eras,
nem talvez isso me afectasse;
lentamente,
nas minhas mãos, já perladas,
 faz-se manhã,
o despertar de um sonho vadio,
o desprezo de uma flor gotejante...
(baseado num texto de
Valter Hugo Mãe,
publicado no blogue de moriana)
(fonte da imagem:

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

K

soltar

Mira os céus, as nuvens,
lembra os mares, a espuma,
o dorso das vagas,
depois,
se lhes virares as costas,
serão teus,
cinzelados à tona de ti...
(fonte da imagem:

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

K

frieza

No surto ondulante do efémero,
as madrugadas transportam em si
a dor do triunfo inútil,
da lança transviada,
do escudo tardio;












há no silêncio das estrelas,
na fria quietude do Todo,
um não-sei-quê
de veludo
sinistro,
que desvia
a flecha,
a espada,
o elmo...

(fonte da imagem:
http://www.goofbutton.com/)

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

K
devassa

Quando os penhascos me assombram,
quando as teias vivas me amordaçam,
quando os pontos cegos me assolam,
quando já as memórias doem e estacam,



então (os simples):
o funâmbulo,
o aramista,
a fera,



impelem-me
pela faiscante
labareda
que um Deus oculta,
como Se guarda
dos olhos, dos ouvidos,
dos que se não insinuam
no despojo da busca.



(fonte da imagem:
http://www.101fengshuiremedies.com/)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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