quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

queda XVII

; talvez o silêncio fosse a tua hora; talvez já não tivesses mais ancoradouros e te aproximasses das gaivotas, navegador sem estrela; talvez, se te visse hoje, não acreditasse na tua voz, nos teus contos marejados: seria o vazio que me irias passar, nessa tua voz de regato; talvez te faças à vela e, na busca vã das aragens, vás resgatando a dor, a imensidão do claro-escuro, no dorso semi-esférico da noite;

(fonte da imagem:
http://dailyapple.blogspot.com/2010/)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

queda XVI

(...) e, nessa base, rodopiou
esse teu centro de gravidade
enrolando-se, decalcando-se 
esse teu corpo,
pelas paredes desse abismo,
dessa fama;
vi a parede,
esquadria de memórias,
dessas que escolheste;
um anteparo,
um vão de janela: 
sentada, as mãos em volutas,
colunatas de Bernini,
debruças-te e
essas fileiras de livros 
despejando-se
amavelmente.
(...) Oh! Se já houvesse uma biblioteca infinita...


(fonte da imagem:
http://www.anythinggauche.com/tag/book-jacket/)