quinta-feira, 13 de novembro de 2025

K

Gostava

Gostava que a minha morte,

fosse como a vida que me deram:


discreta e despercebida.

Que o depositar dos meus restos,

numa valeta,

fosse um gesto de esquecimento

como tantas vezes, em vida,

me esqueci de mim mesmo.g

Como se o Universo

ao lembrar-se do esquecimento

de quem, em vida,

foi a epítome do grau zero da morte.

(…)

De nada vale ambicionares,

de nada vale teres,

porque nada terás,

e as tuas ambições,

serão fogos fátuos,

vazios e

assustadores

e mais nada do que  isso.

Pensa a tua vida 

como um prazo

a que nem um segundo se acrescenta

e os teus "quereres"

apenas serão esgares trocistas

de deuses embriagados,

de deuses que nem querem saber

se tu és, 

se foste…

ou se alguma vez serás…

  

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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

K

Algibeiras

 

O que tens nos bolsos?

Sentimentos, sonhos,

saudades dos tempos

de férias grandes,

em que,

os dias eram infinitos

e acabavam sempre 

perto da lareira apagada.

Em que as notícias

que a TV dava eram,

como hoje,

terríveis.

Mas os dias de liberdade,

soltados os cães na planície,

falavam mais alto do que qualquer guerra,

os passeios de bicicleta

faziam esquecer qualquer facto,

por muito tenebroso que fosse.

Também não entendíamos

nada do que os homens da TV

diziam.

O importante era o nascer do sol,

os caminhos envoltos em poeira,

as ervas que pintalgavam os campos

prenhos de trigo pronto a ceifar,

mais louros do que um Viquingue,

que, de qualquer modo, nunca

havíamos sequer avistado.

(...)

As marcas dos pneus

nos atalhos 

que ligavam o nada

a coisa alguma...

(foto do A.)


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terça-feira, 2 de setembro de 2025

K

Altercação em jeito de lembrete

sábado, 9 de agosto de 2025

K

Ter…





Ter o cabelo azul

E os olhos louros

Viver numa

paisagem de Okusai

Ter a Morte 

no estábulo 

para saber sempre dela

Ser, assim, figurante

num filme menor

Astro em ascensão.

—————————————-

Serás pergaminho,

Onde ejacularei a minha arte,

Mais do que modelo,

Serás obra-prima,

Nossa Genialidade,

Arte do

Futuro do

Presente do

Futuro!

Do porvir,

Mão na mão,

Riso indiscreto,

Em fundo, a onda de Okusai

Cavalga o monte Fuji,

Abraço-te num beijo

Sagrado e oriental

Resvalando na humidade 

Que nos envolve 

Num solene “Arigato”...


(Publicado originalmente na minha página de

Instagram)

Imagem do A.

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domingo, 4 de maio de 2025

K

ó s

Só, 

Só a minha sombra me acompanha,

Num quarto vago, 

Só, 

É nesse quarto vago 

Que me deito, esperando-te

Só 

E sei que quando chegares

Me levarás gostosamente 

Só 

E apenas nos teus braços, 

Sorte, me farás afortunado, 

Só, 

Jamais.

(Foto do A.)

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domingo, 6 de abril de 2025

K

Seja

 









Seja Deus um atalho,

E deus um outro,

Dá-lhe a mão,

Não O deixes,

Resvale o teu pé,

Firas teu corpo e/ou

Alma,

Banhada pelo sol,

Fustigada pela chuva,

Simplesmente

Agarra na Sua mão.

Se não entendes

A chuva,

Ou a tempestade,

Sequer o raio de sol,

Por que desejas

Decifrá-Lo,

A Ele que só te ama

Através de carreiros

Em que a Sabedoria

E o Sorriso

E a Alegria 

Abundam. 


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sexta-feira, 21 de março de 2025

K

A cântaros

 Chegou a Primavera.

O céu debruçou-se 

em baldes de água,

o solo encharcou-se,

barro líquido tropeçando

aos nossos pés deslizantes.

As árvores abateram-se

em carreira de tiro

nos braços do vento.

A ventania deixou o povo

estupefacto, maldizente 

da Primavera que turvou

uma terra, antes seca

sedenta de Inverno.

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

K

Sapiens (?)



Se buscas algo,

se tuas mãos 

descortinam caminhos,

atalhos até,

deixa cair tua angústia,

teu vislumbrar do amanhã.

Nada há para além 

do calendário,

vira a página,

desliza o botão 

digital 

e nada acontece,

o Universo nada deixa acontecer,

somos átomos do não-acontecer,

espíritos alcalinos

de presenças silentes.

O sol nasce e põe-se 

na quietude dos heróis dissipados,

somos uma Terra em que só se dá notícias 

deste Sapiens,

envergonho-me de ser deste caudal

de desastre e impropérios;

talvez sejamos esquecimento num futuro próximo;

talvez quem nos visite se interrogue

acerca duma raça catastrófica

que, sabiamente, soube destruir tudo 

e a si própria enquanto palrava sabiamente:

- de democracia 

- de não repetir erros da história 

- de direitos (?) humanos

- de ecologia

e doutros mísseis altamente destrutivos.


Sinceramente, nunca entenderei a tradução

“Homo Sapiens” para português… 



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sábado, 11 de janeiro de 2025

K

Sonho



Transbordaste do sonho,

saltaste cá pra fora

e noutro sonho

mergulhaste,

envolvida em pós 

de abundância suave,

em líquidos férteis

inseminando-te

a memória,

a imaginação

e o regato límpido

que flui em ti.


Foto do A.

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domingo, 15 de dezembro de 2024

K

Partindo-se

Partiu. 
É tudo... 
Tudo não! 

A saudade que deixou 
é um Cosmos revelado!


Foto do A.

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K

it a














Abaixo do teu ventre
Encontro a vida eterna, 
Também o gozo 
De nos possuirmos,
Há um orgasmo 
De distância 
Dos teus aos meus 
(lábios). 
O teu sorriso 
Leva-me na safadeza, 
Na vadiagem do teu corpo. 
E tricotas mais prazer
Nesse ventre 
De infinitas virtudes, 
A que chamas 
Teu!


Foto do A.

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quinta-feira, 21 de novembro de 2024

K

Rosa


 Rosa 

25/07/1935

06/11/2024

Homenagem singela a quem viveu simplesmente e deu o seu amor a todos os seus.



Foto do A.

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sábado, 5 de outubro de 2024

K

ós adi




Consolador estar só,

Só a mim me pertenço,

Os meus passos são meus,

O horizonte semicerra-se

Numa nuvem solitária,

O sol abriga-se e,

Sem ver a lua,

Desce majestoso,

Estático, pungente.

Traz a noite,

A tranquilidade do lar,

Não tenho o jugo dum grupo,

A espera é nada.

Ao fundo do meu braço,

A minha mão

Que não enlaça

Nada ou ninguém. 

(...)

Morrer só: alternativa

Forçosa.

Ninguém parte acompanhado...


Foto do A.

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sábado, 14 de setembro de 2024

K

ar

 

ar

Vês tu?

É o vento que se acerca,

o sobressalto.

Traz consigo,

nos bolsos do poema,

dois, talvez três,

risos escusos.

Não vês o pardo areal

brilhando louco na gesta 

mais do que esquecida,

desprezada? 

Não vês o vento,

o espanto,

a dor ressaltada?

Não vês os olhos baços,

presos nas esquinas das águas?

Não vês?

Por favor!

Não vês?

(...)

Não.

A tua voz ressalta,

quase canta,

mas teus olhos

fecham-se à matiz dourada

do tempo de agora...

2023-01-22T19:21:17+00:00


Foto do A.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

K

Tua


A tua doidice
O odor,
A textura
Do teu sexo
As estrias de prazer,
Os holofotes da loucura
Tudo se aclara
Para seres minha
Posse fábula
Posse conto
Posse verso
Toda reclinada
Sobre uma paixão
Já acesa
Todos os teus membros
Enlaçados,
Na lenta escuta
Da madrugada
Que teima em
Unir nossas almas,
Mais do que nossos corpos,
Pois dia a dia tão colados
No grude do amor
Que não conhece ocaso…


Foto do A.

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domingo, 2 de junho de 2024

K

Sol


  • Há um Sol
  • enterra lento,
  • Em terra lento
  • até podia estar

um anoitecer magnífico,

teatral, sinfónico.
O barulho das pessoas
era indiferente:
entre o palrar,
o nada dizer,
condição de homens,
de mulheres
e até podia ser Saturno
num enterrar 
sepulcral,
que os copos,
as bocas continuariam
a nada dizer...
Mas era o Sol,
aquele magnífico,
lento,
enterrado Sol,
para mim K. 626,
um Mozart triste,
magnificente,
final,
acompanhava
aquele enterro.
Era sempre na terra
que tudo terminava,
Era aqui o sol pôr,
por entre a indiferença
de quem nunca soube mudar.
Para quê modificar-se?
se até o Sol tem sido
sempre igual?

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terça-feira, 7 de maio de 2024

K

Urdir

quarta-feira, 3 de abril de 2024

K

Velho guerreiro








Numa pequenez rara,

abissal

Num rasgo de infinita bondade

Elevas o teu sorriso bom, para

Longe do que é efémero 

P’ra cá do final desejado.


Antes da fúria

E da danação:

Dos sismos e dos

Orgasmos, do

Instantâneo e do trovão.

Antes que o tempo seja

Dotado de mesquinhez, 

Que se alie a ti, 

velho guerreiro, nas 

Sombras de velhos contos,

De sagas-memórias 

Esfumadas, 

Trilhos para o esquecimento, 

Porque é esse o caminho

De todos os caminhos,

Não busques outro. 


Aperto a tua mão, 

Velho guerreiro, 

E reflicto 

-Nos teus olhos

Turvos, 

-No teu sorriso 

Aberto, 

-Na sinceridade 

De tuas mãos,


A beleza que ostentas, 

Esse manto de arminho, 

Que te cobre, 

É também real linhagem 

Finíssimo tule, 

Aristocrática humildade... 

Caminho e trilho reais,

Um beija-mão velado

que trouxeste de colónias

e possessões que, 

lascivas,

se te entregaram,

na fantasia do espanto:

“Vossa Majestade!

Altíssimo Rei!”

Na Metrópole esquecido,

Velho combatente de

Tua linhagem, de teu 

“Pedigree”.


Eternizas-te pela tua

dinastia fora,

Velhos quadros,

Tua face multiplicada/ex-quecida,

Senhor/raiz/centro/epicentro 

Dono de um sangue que não definhou.




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sábado, 2 de março de 2024

K

Dou voz de prisão aos três ou quatro 

sentimentos que ofegam por mim acima,

não obedecem e, na tristeza opressiva,

no cachecol vúlvico,

no insulto que paira sobre mim,

nada sobra a não ser a fuga,

o rito,

o grito,

o mito,

o fito longe

jazendo minhas órbitas,

escalpe

e unhas inúteis,

por isso mesmo trasladadas

para a euforia 

da passagem, da altercação mansa,

pelo ódio que sempre tive

por esta barca mal aparelhada,

manca, pífia, com que me sempre obrigaram

a fazer as travessias da Vida.

Nem o remo serve para a estocada final,

que me soubesse pôr a milhas da vida.

Nesta Barca de Caronte sou um condenado, 

fintando escolhos, sargaços e restos de gente…

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sábado, 3 de fevereiro de 2024

K

Fim de tarde



A tristeza passeia-se

pelo fim de tarde.

Domingo, sempre

[entalado]

entre suas fráguas,

as margens do medo,

apertam

estas mãos sempre vazias,

logros duma esperança,

mártir, 

sacrificada no frágil altar 

duma certa bonomia.

O sol foi embora,

a lua tarda,

a mágoa instila-se,

paredes de mim,

sabes?

O tempo gastou-se,

rio medíocre,

banhando as mágoas do medo,

no vazio de uma semi-esfera,

desabitada de gente,

os seus moradores

sentimentos apodrecidos,

e,

enquanto a tristeza se passeia,

ladeiam-na

as distrofias,

tristes,

cíclicas,

de braço dado

com as fráguas 

que acima citei

e que amarinham

pelas paredes,

aranhas de Inverno…








[Publicado previamente na

minha página de Instagram

(www.instagram.com)]


(Fotos do A.)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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