terça-feira, 13 de janeiro de 2015

K

tempo


Talvez 
tenha passado um ano,
um dia, quem sabe?
O tempo é meu amigo 
ainda,
e nos restos,
nas sombras 
que um relógio 
projecta 
nas paredes
de um amanhecer 
há um entregosto,
uma maré de risos,
de gemidos também.
E por entre os ecos,
as vozes da madrugada,
sente-se o chocalhar
dos seixos que o tempo
se recusa a lembrar.

(foto do autor
obtida com telemóvel)

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domingo, 22 de dezembro de 2013

K

21/12

No mais escuro da noite,
serpenteando por entre arbustos,
ou pelas vielas mais estreitas,
goza os dias curtos,
envoltos num negrume
tresandando a susto.
Encosto-me ao vidro:
só a claridade opaca,
oblíqua,
me ilumina os dias;
um frio grotesco
embrulha-me os ossos
(e o ânimo),
ainda são 4 e meia
e já cabeceio,
(magro dia este).

Há, 
no entanto,
neste vago desaconchego,
um sensível,
iminente calor,
que me desperta,
lento,  
preguiçoso,
para um mais do que 
doméstico torpor...


("Não deixes que o teu humor
se camufle com o variar dos dias.
Aprende a felicidade também nas chuvas,
quer elas venham do basto Nilo
quer sejam trazidas pelos ventos do
Norte."
(fala de Eratóstenes de Alexandria 
a seu filho Ággelos)
(fontes das imagens:
1ª:  http://www.the-tls.co.uk/tls/public/article1276546.ece
2ª:  http://crazy-frankenstein.com/free-wallpapers-files/seasonal-wallpapers/winter-holidays-wallpapers/country-winter-holidays-wallpapers-1024x768.jpg)

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

K
Frágil
Sorrio ao vento,
e é na fragilidade das palavras,
que me envolvo no silêncio.
Nas hastes do sonho,
penduro o meu olhar
[semicerrado]
no aconchego de um poente,
algures num mar luminoso.
Sabe-me a sal a minha face,
e,
nas correrias na praia
{mastros encimados por liras,
aqui e ali}
há um não-sei-quê de poético,
que leva e traz essas palavras
(frágeis)
na terna, fugaz memória
de um homem sentado à beira-mar. 

(fonte da imagem:
http://www.flickr.com/photos/pedrosz/)

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

K

ouro-luz

(imagem retirada da net)

Endureci a crosta do solo;
salguei o rosto,
o sol empinado,
costas geladas
daquele sangue brutal;
entre as foices de trigo
(ouro faísca, ouro cego)
malham insectos;
vidas resvalam socalcos abaixo,
perdido o vinho,
o pão,
a semente.
Restam duas enxadas,
entre dois passos de horizonte,
resta um homem, uma mulher,
uma volta na eira,
uma ilha de raiva,

[inacabada]

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domingo, 10 de maio de 2009

K

gravura

Podias ficar com uma imagem;
a luz das palavras,
dos sons
trocam o signo.
Lugar onde,
de onde,
sujeito sem objecto.
A partida nem saiu do molhe,
a figura,
a imagem,
o retrato,
descansaram sobre o aparador,
escondidas em memórias
empoeiradas num amanhã insone.

(vd. fig. inclusa)

(retirado blogue em que participo www.gps-poetasdomundo.blogspot.com)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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