terça-feira, 18 de maio de 2010

madrugada

















Então, minhas mãos desertas
despojarão as madrugadas,
os restos solteiros,
as sobras límpidas.
(...)
Pelas janelas frias,
já se terá posto a Lua,
e as nuvens macularão
os vastos,
rotundos pátios,
em que esmorece a esperança,
e também a glória do não-ter-feito.
(...)
À mercê dos ventos,
as minhas mãos,
ainda áridas,
repousarão
nas ombreiras de ontem,
diluídas na suposta
frincha dos meus dedos
obscurecidos.

(imagem fonte: abcgallery.com,
Chagall: "Relógio com asa azul")

8 comentários:

Lídia Borges disse...

Um prazer, esta leitura, tanto mais que é madrugada, janela aberta à lua, vento, mãos...
Nem as sombras poderão tornar-me este poema sombrio.

Obrigada!

Vieira Calado disse...

Olá, amigo!

Para lhe dizer que gostei do seu poema.

E que o seu amável comentário no meu blog "não entrou".

Por isso não consegui publicá-lo.

Um abraço.

Graça Pires disse...

Até amarmos de novo a madrugada...
Um belo poema, amigo Jaime.

Vieira Calado disse...

Olhe, amigo!

Deste vez o seu comentário "entrou"!

Um abraço

pin gente disse...

semeemos nas mãos
grãos que incharão de vida
deixemo-las florir no intervalo dos dedos
soprará um vento esverdeado de esperança
e as flores farão uma vénia à existência

gosto muito do que escreveste.
a tela de chagall é interessantíssima.

um abraço
luísa

maré disse...

qual será o destino das minhas mãos tocadas de melancolia?
comvém ouvir o coração da noite
e o silêncio entrecortado que a minha voz sagrou
qual ária triste onde me esqueço.


______

a minha ternura marítima num abraço Jaime

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Tenho andado a perder-te...

Um grande abraço

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Tenho andado a perder-te...

UM grande abraço