domingo, 29 de maio de 2011

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Corro as teclas assim,
na pressa de nem sei o quê:
abro as portas ao tempo,
o relógio terá assaltado,
até estuprado o espaço,
(na minha realidade, claro);
não há madrugadas de fogo,
nem folhas incandescentes,
nem luares de caminhos novos,
apenas as teclas,
e os meus dedos que as percorrem 
na pressa de nem sei o quê.
Recordo dias e noites,
a minha idade,
o que já terei perdido,
o que ainda não ganhei,
e sinto que as teclas
me são cúmplices,
comparsas
em textos que esqueci,
em frases que me pertenceram;
talvez este mesmo teclado,
na pressa de nem sei o quê,
oculte entre os frisos,
desejos de me ultrapassar,
de desviar os olhos de mim mesmo...
estas não sei quantas teclas,
quiçá sinistras ou risonhas,
saberão tudo o que já não sei,
terão escrito o que já esqueci,
mas também serão parteiras
de desejos que virão.

"Por muito má que seja, até medíocre, até asquerosa, é na tua escrita que te inventarás.
Lembra-te, no entanto, dos inventos que se limitaram a rastejar para debaixo das rochas do letargo"
(fala de Dioniso a Séneca)
(fonte da imagem:
http://variety-sf.blogspot.com/)

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