domingo, 22 de março de 2009

K

caminhos

Ter sentidos em afecto impressos;
escalar o momento da avareza
numa multidão de algas soltas,
cor de chegada a uma gare esquecida.
Sim, vi os carinhos
entre ruídos infernais de carruagens,
limos esvoaçantes
entre quaisquer alavancas para o dia.
Era noite ainda,
e os restos de sargaços eram trazidos
pelo vai-vem das máquinas
em deslizes faltosos,
nas linhas
que me segredaram ser da vida.
Esperei.
Soube que nas minhas palmas
se estendiam afagos sem destino,
avaros,
ínvios,
invictos na sua cruz.




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1 Comentários:

Blogger Paula Raposo disse...

Tão bonito o teu poema...beijos.

segunda-feira, 23 março, 2009  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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