segunda-feira, 23 de novembro de 2009

encantos

Nos velhos altares pululavam deuses, tão sacros, decadentes,

tão decrépitos,
que se desvaneciam, já,
as suas vestes,
de maresia salpicadas.
Sacerdotes, trôpegos,
ainda oficiavam,
espalhando incenso,
salmodiando versos inaudíveis,
em línguas encantadas,
esquecidas,
fluidas,
mescladas de ontem.
Balbuciavam encantamentos,
encantos adentro
da flor do tempo
que ressaltava,
voraz,
no pó vetusto
que a cobria,
na secreta,
oculta noite média.











(imagem retirada da net)
(poema retirado do blogue
GPS em que participo)

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Eu gosto deste encantamento.
Beijos.

maré disse...

das línguas encantadas

como ofício dos encantos

que o tempo des tece

_______

um beijo, Jaime

terno