domingo, 4 de setembro de 2011

ORQUESTRA AO FIM DO DIA

o vento sussurra lá fora aquilo que me vai cá dentro...
enquanto caem as folhas, abato-me sobre o meu peito,
nem a brisa nem os meus olhos descansam, vagos,
rodopia a areia jacente no solo, o sorriso foge-me,
acho que há pequenos tornados e, abatido, observo
os cones baixos, insignificantes migas de Natureza,
e o céu quase solidário oferece os braços das nuvens
num desejo de ascensão salvífica,
num rodear de mastros antigos,
firmes num mar ansioso,
albergues esquecidos,
chiando lúgubres
num passado
já gasto
(foto do autor obtida com telemóvel, 
"nuvens sobre S. Martinho do Porto")

1 comentário:

Graça Pires disse...

Entraste no poema através do vento para fazeres um belo poema.
Beijos.