segunda-feira, 5 de novembro de 2012

K

indiferença

Joan Miró. Drawing-Collage with a
 Hat.
Nada me interessa já;
agora o tempo desliza
compacto,
em torrentes de névoa;
o vento faz por soprar
restos de tábuas
já amarelecidas,
recordações
navios esquecidos.
 
Nada me interessa já;
se estou à janela,
o tempo marcha
numa coluna
de estropiados,
restos de homens
que foram
milícias de um povo
que já os esqueceu;
 
Nada me interessa já;
onde as árvores
se avistam,
onde a terra se faz céu,
tudo adormece,
na tranquilidade
de quem
pouco sabe,
de quem ainda é.
  
Hoje,
houve camponeses
sem pão,
operários sem féria,
pescadores sem peixe.
Hoje,
a fome sentou-se
a muitas mesas.
Hoje,
já nem as palavras,
nem os comentadores
consolaram fosse quem fosse.
Assim,
penso ser honesto
quando sussuro em surdina:
"Nada me interessa já".
("Não brades aos homens,
sobretudo aos que te governam;
na tua serenidade povoa os teus
pensamentos de imagens felizes;
cairão nas suas palavras mais cedo
do que imaginas."
Fala de Tácito a Bruto,
antes do punhal)

 (fonte das imagens:


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2 Comentários:

Blogger Paula Raposo disse...

Gosto!!! Beijos.

quinta-feira, 08 novembro, 2012  
Blogger rosa-branca disse...

Uma indiferença muito triste num poema que faz doer a alma. Gostei muito. Beijos com carinho

sexta-feira, 09 novembro, 2012  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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