quarta-feira, 14 de novembro de 2012

K

estupros


Já me esqueceste?
Já te sobrou o tempo
da diáspora,
do revés sentido?
Já não lembras
o que fomos
ou que iríamos ser?
Onde estão os campos,
as árvores,
os frutos?
Ou será 
que o teu esquecimento
os varreu 
para debaixo da memória?
Sei que o vento deixou
de trazer os aromas, 
os pólens de outrora.
Sei que as sementes
se dispersaram
numa fúria esganada,
própria de apocalipse.
Seja maldito o teu desprezo,
a tua mágoa só gera 
vagas de extermínio,
regos de engano...
Mil vezes ergui o punho,
e mil vezes o baixei,
os meus pés,
fincados na lama,
raízes de um tempo
ainda solto...

("Deixa que o tempo
faça o seu trabalho,
que as rugas se apoderem
da tua ansiedade;
verás que, distantes,
os cuidados mirrarão."
Fala de Esculápio a Éfire,
seu discípulo)

(fontes das imagens:
1ª http://blog.earthfriendlyseeds.com/
2ª http://www.azgs.az.gov/)

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3 Comentários:

Blogger MCA disse...

Um amor perdido é como um frasco de perfume vazio. Com 45 anos e alguns amores perdidos, ainda não consegui perceber que impulso é esse que me leva a guardá-los e a voltar ao armário para os abrir e cheirar teimosamente quando já não me podem perfumar.

terça-feira, 27 novembro, 2012  
Blogger Jaime A. disse...

Penso que há sempre a teimosia de algum regresso ao passado. Perfumar-se é um gesto mecânico, nunca esquecido. Quem abre o frasco, procura ainda a solene imersão em todas as fragrâncias de outrora.

terça-feira, 27 novembro, 2012  
Blogger vieira calado disse...

Gostei do seu esbelto poema!

Um forte abraço!

quinta-feira, 29 novembro, 2012  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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