segunda-feira, 7 de agosto de 2006

m...

Estendo-te as mãos...
Esperavas-me...
há muito.
Espiavas-me,
esgueiravas-te.
Com paciência,
em sussuros apenas teus;
aguardavas-me.
Lambias tuas mãos,
que iriam segurar minha cabeça.
Teus olhos cavos
preparavam a estocada final.
Em cada esquina
ias mirando meus passos,
quase seguros,
quase esquecidos de ti.
Até que, ao tropeço,
te estendo as mãos,
recordado
das suaves dores que me trazes,
tão seca, inominada.
Desenvolta,
carregas-me,
sinto teu corpo;
gélido sempre.
Deixo-me ir.
Anunciada estavas,
(havia muito...)

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