quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

K

em azul...

Hoje, sento-me no colo do Tempo.
As minhas mãos enroscam-se nas farripas
das suas horas,
encosto-me ao seu peito
tiquetaqueante nos segundos;
deslizo 
e, nessa tranquilidade cadenciada, espraio-me pelos azuis 
que o lacrimejam 
pela sua beleza abaixo.
No colo do Tempo
vislumbro-me no futuro e,
no arrepio,
sinto os passos de algo
que me esperaria, mas que me encontrou saciado.


Então, num jacto imenso,
empurro os segundos, 
suspenso,
até a Paz, a verdadeira Paz, 
me imergir 
num mergulho leitoso, tépido.
(fonte da 1ª imagem:
http://portaldegaia.wordpress.com/)
(2ª imagem:
foto do autor obtida com telemóvel:
"Jardim de silicatos")

Etiquetas:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

K

queda XIX

Estar só, é uma bênção bipartida, uma herança quase maldita nas flores e palavras que lembramos. Por isso esquecemos o tempo, e o espaço quase se nega aos sons que as palavras tentam povoar. Provém pois de agora o arco, a flecha que é a acuidade do cirurgião que rasga as palavras cintilantes. Se houvesse uma solidão exacta, então, na sua solidez,as palavras brotariam como pólen,
espalhando-se no semental
dos campos,
das searas,
dos casais
que no pino do sol,
colheriam o pão,
polvilhado pelas desobediências 
castas de olhos já vítreos.
(inspirado em moriana, numa publicação no seu blogue)
(foto do autor obtida com telemóvel:
entrada de Ferreira do Alentejo)

Etiquetas:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

K

queda XVIII

É de bronze o semblante,
é de pedra a certeza,
o manto de ontem que faísca.
Reflectes as paredes, 
os muros que sonhaste;
as tuas mãos, 
as veias que se canalizam azuis 
- mar de espumas triunfantes -
regressam às águas mornas 
do Mesozóico,
às tremuras dos "belli".
Talvez hoje,
cavalgando as crinas do Tempo,
sejas a geração última,
o derradeiro soçobrar
de uma sombra escusa.



Etiquetas:

"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

eXTReMe Tracker
online