quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

queda XIX

Estar só, é uma bênção bipartida, uma herança quase maldita nas flores e palavras que lembramos. Por isso esquecemos o tempo, e o espaço quase se nega aos sons que as palavras tentam povoar. Provém pois de agora o arco, a flecha que é a acuidade do cirurgião que rasga as palavras cintilantes. Se houvesse uma solidão exacta, então, na sua solidez,as palavras brotariam como pólen,
espalhando-se no semental
dos campos,
das searas,
dos casais
que no pino do sol,
colheriam o pão,
polvilhado pelas desobediências 
castas de olhos já vítreos.
(inspirado em moriana, numa publicação no seu blogue)
(foto do autor obtida com telemóvel:
entrada de Ferreira do Alentejo)

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Há um cheiro a feno, uma réstia de luz neste estar solitário.

Muito bonito!


Um beijo

Rafeiro Perfumado disse...

Estar só é uma benção ou uma maldição, depende da companhia que estamos a perder. Abraço!