domingo, 14 de dezembro de 2008

K

ocularis

Diz-me que desprezo é esse
que não olhas pra quem quer que seja,
ou pensas que não existe
ninguém que te veja
(António Variações)



Meus olhos tropeçam

no esguio ar dos outros.

Arrogo-me ao desdém

e caminho

num luto por mim mesmo.

Meus olhos implantam-se

nos negros que vêem;

tropeço em memórias,

sinais.

Olhos inquisidores,

olhares, sempre olhares.

Cúmplices, reféns

de minhas mãos

que os embalam,

que os regem,

em majestosa cadência,

em sumptuosa ínsula...



(foto retirada da net)

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4 Comentários:

Blogger moriana disse...

antónio variações, poemas fabulosos.

deu o mote ao teu.

:)
bjs.

terça-feira, 16 dezembro, 2008  
Blogger Blindness disse...

Do que os olhos vêem restará tão somente a recordação...
Impressa na nossa alma com a força dos sentidos...
Os sons, os cheiros, o toque, o sabor, as imagens...
Mas o tempo... esse que nada sente... leva-as com ele e, das recordações, massa do nosso ser... restarão apenas memórias do que foi...

terça-feira, 16 dezembro, 2008  
Blogger Jaime A. disse...

A "demência" de Variações é também um pouco minha, daí...

sexta-feira, 19 dezembro, 2008  
Blogger Jaime A. disse...

apenas as memórias do tempo, blindness. A fuga, o desapego também. Não será ainda cedo para te preocupares com isso?

Beijos

sexta-feira, 19 dezembro, 2008  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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