segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes
(Carlos Drummond de Andrade)

Eu também já fui marinheiro,
Bastava olhar o oceano
subia aos pináculos
Da memória e do sal da vida

Eu também já fui fadista
Bastava um trinado
a voz brilhava
e coros angelicais se vazavam em círculos de claridade


Sei agora,
que tudo o que fui,
escorregou,
fluiu,
e me perdeu
em esquinas
espumosas duma vida,
que, por frete,
por indiferença,
vou consumando
até o poeta, o marinheiro e o fadista se encontrarem
num ponto que ignoro.

2 comentários:

Graça Pires disse...

Um belo poema, Jaime. De repente lembrei-me da canção do Zeca "já fui mar já fui navio... só me falta ser mulher..."
Um abraço.

Jaime A. disse...

Ainda me falta ser tanto que a vida, quem sabe, não chegue para tal.
Um abraço