segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

K
Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes
(Carlos Drummond de Andrade)

Eu também já fui marinheiro,
Bastava olhar o oceano
subia aos pináculos
Da memória e do sal da vida

Eu também já fui fadista
Bastava um trinado
a voz brilhava
e coros angelicais se vazavam em círculos de claridade


Sei agora,
que tudo o que fui,
escorregou,
fluiu,
e me perdeu
em esquinas
espumosas duma vida,
que, por frete,
por indiferença,
vou consumando
até o poeta, o marinheiro e o fadista se encontrarem
num ponto que ignoro.

2 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

Um belo poema, Jaime. De repente lembrei-me da canção do Zeca "já fui mar já fui navio... só me falta ser mulher..."
Um abraço.

terça-feira, 09 dezembro, 2008  
Blogger Jaime A. disse...

Ainda me falta ser tanto que a vida, quem sabe, não chegue para tal.
Um abraço

quinta-feira, 11 dezembro, 2008  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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