sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Vontade d'el-Rey

Eras fraqueza.
Tua pele macia
levava-te ao sangue
num olhar.
Eras hipótese.
Sem certezas,
uma melancolia derramava-se
do teu ventre.
Eras cobarde.
A valentia fugira-te
havia muito.

El-Rey quis-te,
era a guerra.
Fugir?
Vestiram-te,
armaram-te:
um cinto de guerra,
braços e pernas
escondendo tua frouxidão.
Um escudo p'ra covardia.
Um capacete ornando
fantasias ausentes.
E a espada!
Cintilância na morte,
abrigo da vida.

(...)

Transfiguraram-te!
Da fraqueza, genica.
Da hipótese, tese.
Da cobardia, possança.
El-Rey te quis,
tu te tiveste,
guerreiro sombrio,
no rubro da contenda,
a morte escorrendo
pelo mundo abaixo.
Os olhos em El-Rey,
pés avançando
por seu novo jugo.

(...)


Vontade d'El-Rey,
acatam os homens,
o Império engradece,
a humanidade prostra-se!


(Grafitti situado em Telheiras, Lisboa)






2 comentários:

Graça Pires disse...

Poema muito realista a corresponder muito bem ao grafitti.
Gostei. Um abraço.

Jaime A. disse...

Será que um homem se torna "mais guerreiro" por ordem suprema?
Obrigado por aparecer.
Um bom fim-de-semana