domingo, 7 de dezembro de 2008

in aqua


Sobre a urze silvestre, ao subir da montanha,

Uma gota de orvalho, em manhã de esplendores,

Lucitremia ao Sol numa teia de aranha,

como um prisma em que a Luz se decompunha

[em cores.

(Gota de água, António Feijó, in Sol de Inverno)


Beijei tuas folhas trémulas,

naquela manhã

de Sol caótico,

madrugador,

em que se tremia,

em veredas invisíveis,

em que a montanha estava para lá

do dizível.

Mirei um reflexo teu,

urze silvestre,

o orvalho baço escalava-te,

abraçando a aranha,

em trémulos beijos,

quase virginais.

Invejei-te,

pelo Sol,

[que]
me mirava desdenhoso,

pelo teu orvalho mudo,

pelas aranhas

tuas companheiras de vida em luzes cálidas e díspares.
(imagem retirada da internet)

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