terça-feira, 2 de dezembro de 2008

demente

Lá vai o maluco,
lá vai o demente,
assim te chama toda essa gente.
Mas tu estás sempre ausente
e não te conseguem alcançar.

(António Variações)



Sim,

tenho os olhos,

guardados na gaveta das dobras

onde fica a dor de ontem.

Extraí e destilei a fuga;

caminhei lado a lado

com a raiva do nada;

o medo esgueirou-se
pelos pensamentos adentro.

Houve receios almejados,

marinhando pela alma longe,

fugidia.

O povo sabia o demente,

e nada tinha;

o demente tinha o ser,

o finito,

o nada,

o tudo,

o dobrar-se na fantasia,

e adormecia nos baixios

da memória.


(foto extraída da internet)


2 comentários:

moriana disse...

belo o poema de António Variações, igualmente belas as palavras tuas que dele brotaram.

beijo
(excelente semana :)

Jaime A. disse...

a demência não está em fronteira alguma, pois não?

Bjs

(tem tabém uma excelente semana, com muitos posts também ;)