terça-feira, 2 de dezembro de 2008

K

demente

Lá vai o maluco,
lá vai o demente,
assim te chama toda essa gente.
Mas tu estás sempre ausente
e não te conseguem alcançar.

(António Variações)



Sim,

tenho os olhos,

guardados na gaveta das dobras

onde fica a dor de ontem.

Extraí e destilei a fuga;

caminhei lado a lado

com a raiva do nada;

o medo esgueirou-se
pelos pensamentos adentro.

Houve receios almejados,

marinhando pela alma longe,

fugidia.

O povo sabia o demente,

e nada tinha;

o demente tinha o ser,

o finito,

o nada,

o tudo,

o dobrar-se na fantasia,

e adormecia nos baixios

da memória.


(foto extraída da internet)


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2 Comentários:

Blogger moriana disse...

belo o poema de António Variações, igualmente belas as palavras tuas que dele brotaram.

beijo
(excelente semana :)

terça-feira, 02 dezembro, 2008  
Blogger Jaime A. disse...

a demência não está em fronteira alguma, pois não?

Bjs

(tem tabém uma excelente semana, com muitos posts também ;)

terça-feira, 02 dezembro, 2008  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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