sábado, 23 de março de 2013

a Drummond de Andrade

(...)
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,*

                                                                                     (...)                                                           

...mas a paisagem,
essa,
transforma a minha respiração
em suspiros;
uma mulher liberta o meu canto,
uma história qualquer...
a minha vida,
balizada entre os postes,
sem saída para a área,
golo em suspenso,
partida empatada...
agora a paisagem
resvala pelas escarpas,
e o meu canto,
possuído,
levam-me ao fundo,
ao vale dos lagos frígidos,
onde a minha imagem
se reflecte em tons de azul,
em matizes de refrega,
de não entrega,
objecto que se renega...

("O canto das sereias
é o teu destino.
Quando o ouvires,
canta ainda mais alto. 
A tua odisseia será
revivida em cada edição."
Fala de Homero a Ulisses,
sua personagem)

(*excerto do poema "Mãos dadas"
de Carlos Drummond de Andrade)

(fonte da imagem:
http://vinicolasevinhedos.blogspot.pt/)

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