quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

demanda

Busco,
tenho na madrugada
uma amiga,
nas brumas 
o gesto da aliança.
Ainda busco
pela escuridão
enrolada na névoa,
água tornada gente,
quase bucólica,
quase êxtase.
Talvez já nem busque,
talvez a minha inibição
aquietasse a ânsia,
o querer para lá do crer.
Agora sento-me,
os olhos postos nos atalhos,
as mãos postas numa oração
crispada, mas sentida;
talvez já nem tenha virado 
as costas,
talvez se a vida assim mesmo,
não o sei.
Sei que a parede me aguarda,
também sei que a busca findou,
dançam os meus olhos
nos pérfidos vocábulos
que se alongam
pelas páginas soltas
de um diário insensato...

("Já viste os caminhos da luz,
não te desvies deles e sonharás;
os teus sonhos serão brilho e 
alegria." 
Fala de Platão a Aristóteles)

(imagem do autor
obtida com telemóvel)

1 comentário:

Rafeiro Perfumado disse...

Isso de teres paredes a aguardar-te pode ser perigoso...