quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Na Flandres

underwater cave

Tanta tristeza...
    nem a alvorada traz o recolhimento...
    o sono nem deve existir no seu pesar
    e os caminhos empoeiram a memória...

    O marulhar palpita-me o coração...
    ouço os meus batimentos
    nas têmporas das cavernas marinhas...

O Sol apenas se põe no horizonte...
   o alvorecer há muito que se despiu,
       lentos são os cânticos chorosos...

    Há um portão, um marulhar de vento...
    um claustro, uma cela fechada,
    água rindo pelas paredes...

A cela morre de si para si...
     o horizonte desmaia, doce...
     na Flandres já não há tropas...

entre os musgos,
há essa cela,
esse silêncio húmido,
os restos de uma viagem
sem partida,
um sossego malsão...

(a partir de um poema de
marés publicado no seu
blogue)

("Quando estiveres desamparado,
lembra-te que o teu caminho é outro,
não carregues só o que te não pertence."
Fala de Pitágoras a Asclépio, seu protegido)

(fonte da imagem:
http://www.hotelclub.com/blog/five-adrenaline-thrills-in-hawaii/)

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

A água a rir pelas paredes.
Sublime...!
Um abraço.

Rafeiro Perfumado disse...

No dia em que o sol se puser noutro sítio que não no horizonte vamos ter problemas...