quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

pó do tempo

Caminho na duplicidade
do que sinto,
do que sou.
Arrasto estradas,
vinhas e trigais
sem que haja hesitação,
ou sequer sentido
no que vejo.
Os meus passos
são o que sou,
coesos e esquecidos de si.
Sempre a luta desigual,
o perdão aos outros,
o zurzir-me de recordações;
caminho,
sempre,
e é no resvalar
entre tempos
que, 
das faíscas soltas,
entrevejo para onde
dirigir os meus passos,
a minha vida,
emenda solitária,
atalho poeirento,
pegadas cobertas...
("Caminha,
não importa o destino;
este revelar-se-á
a seu tempo."
Fala de Sócrates
ao seu discípulo Petraeus)
(fonte da imagem:
da galeria de kai_ross)

1 comentário:

Nilson Barcelli disse...

O que é preciso é caminhar. Porque o caminho importa quase sempre mais que a chegada...
Magnífico poema, gostei.
Um abraço.