quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

K

pó do tempo

Caminho na duplicidade
do que sinto,
do que sou.
Arrasto estradas,
vinhas e trigais
sem que haja hesitação,
ou sequer sentido
no que vejo.
Os meus passos
são o que sou,
coesos e esquecidos de si.
Sempre a luta desigual,
o perdão aos outros,
o zurzir-me de recordações;
caminho,
sempre,
e é no resvalar
entre tempos
que, 
das faíscas soltas,
entrevejo para onde
dirigir os meus passos,
a minha vida,
emenda solitária,
atalho poeirento,
pegadas cobertas...
("Caminha,
não importa o destino;
este revelar-se-á
a seu tempo."
Fala de Sócrates
ao seu discípulo Petraeus)
(fonte da imagem:
da galeria de kai_ross)

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1 Comentários:

Blogger Nilson Barcelli disse...

O que é preciso é caminhar. Porque o caminho importa quase sempre mais que a chegada...
Magnífico poema, gostei.
Um abraço.

quinta-feira, 28 fevereiro, 2013  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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