quinta-feira, 17 de novembro de 2011

K

rude

Vejo que esqueceste o tempo,
a rude espada que te tolheu,
o abraço que nunca deste.
Vejo que esqueceste as nuvens,
as esperanças furtivas,
que te trouxeram de bandeja.
Vejo que esqueceste as mãos,
aquelas que o sopro aqueceu,
entre tormentos excessivos.


Sim, vejo o esquecimento,
as luas esquivas,
a guarda que baixaste,
o teu sorriso demente;
há pregas e rugas na tua fala,
e até as palavras esbarram
no teu esgar longínquo;
sinto o tremor do que pensas,
o frio que te agita,
os sonhos em que recusas
empinar-te.
Os apuros dos teus caminhos,
as razias de uma memória
que obliteras a cada passo,
trazem-te de volta à praia:
Omaha Beach...


talvez:
Checkpoint Charlie...

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1 Comentários:

Blogger Vieira Calado disse...

O tempo leva-nos e traz-nos
de volta!

Um abraço

quinta-feira, 24 novembro, 2011  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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