sexta-feira, 28 de outubro de 2011

em azul

É turva esta imagem de sonho,
feita de lampejos e claridade.
Um pincel coloriu a luz,
os barcos nasceram
como extensão do riso do pintor
e desceram a praia como arcos,
hesitando entre a água e o céu,
 num vacilar sábio,
quase religioso.
Aquele azul rio acima
mistura-se na aguarela,
no mosto das tintas;
na imobilidade que agarrou;
num instante perfeito,
fica uma réstia de abandono,
uma saudade oscilante,
um adormecimento numa tarde de Verão,
voltando em ciclos,
sempre em ciclos circulares...

(foto do autor obtida com telemóvel,
fim de tarde em S. Martinho do Porto,
Agosto 2011)

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