quinta-feira, 10 de novembro de 2011

torre

Habito esta torre,
entre vendavais de estigma,
nas naves que a sustentam;
assomo-me às janelas,
vejo o regresso de mim,
a camisa drapejando,
o peito rubro de ocasos;
meus olhos percorrem
os vidros,
os nós,
onde se estilhaçam os verdugos,
enquanto, redondos,
meus pensamentos esquecem o hoje;
é pela escada que que meus sonhos descem,
mergulhando nas ervas, 
nos cheiros-orvalho da madrugada.

Habito esta torre,
meus braços abarcam-na,
num abraço feliz,
recebendo-a assim mesmo,
em gentil, cálida adopção...

(foro do autor obtida
com telemóvel:
Montemor-o-Velho,
Verão de há uns anos atrás)

1 comentário:

Nilson Barcelli disse...

Os sonhos descem, mas também sobem escadas. E alguns até têm asas para voar bem alto...
Magnífico poema. Gostei.
Um abraço, caro amigo.