quinta-feira, 10 de novembro de 2011

K

torre

Habito esta torre,
entre vendavais de estigma,
nas naves que a sustentam;
assomo-me às janelas,
vejo o regresso de mim,
a camisa drapejando,
o peito rubro de ocasos;
meus olhos percorrem
os vidros,
os nós,
onde se estilhaçam os verdugos,
enquanto, redondos,
meus pensamentos esquecem o hoje;
é pela escada que que meus sonhos descem,
mergulhando nas ervas, 
nos cheiros-orvalho da madrugada.

Habito esta torre,
meus braços abarcam-na,
num abraço feliz,
recebendo-a assim mesmo,
em gentil, cálida adopção...

(foro do autor obtida
com telemóvel:
Montemor-o-Velho,
Verão de há uns anos atrás)

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1 Comentários:

Blogger Nilson Barcelli disse...

Os sonhos descem, mas também sobem escadas. E alguns até têm asas para voar bem alto...
Magnífico poema. Gostei.
Um abraço, caro amigo.

quarta-feira, 16 novembro, 2011  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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