quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

K

queda XIV

Um trono,
duas coroas,
uma capital.
Guardaste o furor,
tornaste fiel a evasão,
a Europa esqueceu-te,
sobrou Castela.

Um trono,
duas coroas,
uma capital.
Teu confessor
abençoou-te a partida,
na praia, uniste razões,
numa certeza obsessiva,
galopante.

Um trono,
duas coroas,
uma capital.
Fugiu-te a corte,
guardou-te a derrota;
Lisboa, órfã,
um povo sonhando,
em degredo a querer-te 
onde nunca estarias.

Castela deu o passo,
no caminho que lhe deste;
Camões morreu contigo,
levando em si
a Pátria de Pessoa!

(fonte da imagem:
Paula Rego: "Alcácer-Quibir")

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1 Comentários:

Blogger Sofá Amarelo disse...

Fiquei preso na fonte da imagem oriunda do site do meu antigo colega do Expresso, Alexandre Pomar, filho de, claro, Júlio Pomar, profissional competentíssimo e detentor de um grande humanismo.

Um abraço!

quinta-feira, 02 dezembro, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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