sábado, 23 de outubro de 2010

queda XI

Esmoreço-me,
semi-caio neste vale, 
nas falhas espraiadas,
no desespero gotejante de uma madrugada ácida.
Sussurram longe os poemas que não escrevi,
sôfregos de autorias que me escaparam
entre os meus dedos gastos por advérbios
sem modo,
por sujeitos sem qualquer complemento,
por verbos que nunca transitaram.


Já subjuguei os alfabetos, sim:
latinos,
árabes, até;
todos me cederam o que tornei meu:
as palavras dolorosas,
as palavras ostensivas,
as palavras dolentes,
as palavras-minhas-palavras assim erguidas.


Esperavam arte os que hoje atrasam,
entre soluços,
os castos ponteiros
das horas azougadas.


Sou deste vale de esperanças maculadas,
forjadas em mim,
restos piedosos de triunfos mal entrevistos!

1 comentário:

Nilson Barcelli disse...

Mas vais escrever muitos mais poemas... tem calma...
Este, é muito bom. Os próximos não lhe vão ficar atrás, por certo.
Caro amigo, boa semana.
Abraço.