sábado, 23 de outubro de 2010

K

queda XI

Esmoreço-me,
semi-caio neste vale, 
nas falhas espraiadas,
no desespero gotejante de uma madrugada ácida.
Sussurram longe os poemas que não escrevi,
sôfregos de autorias que me escaparam
entre os meus dedos gastos por advérbios
sem modo,
por sujeitos sem qualquer complemento,
por verbos que nunca transitaram.


Já subjuguei os alfabetos, sim:
latinos,
árabes, até;
todos me cederam o que tornei meu:
as palavras dolorosas,
as palavras ostensivas,
as palavras dolentes,
as palavras-minhas-palavras assim erguidas.


Esperavam arte os que hoje atrasam,
entre soluços,
os castos ponteiros
das horas azougadas.


Sou deste vale de esperanças maculadas,
forjadas em mim,
restos piedosos de triunfos mal entrevistos!

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1 Comentários:

Blogger Nilson Barcelli disse...

Mas vais escrever muitos mais poemas... tem calma...
Este, é muito bom. Os próximos não lhe vão ficar atrás, por certo.
Caro amigo, boa semana.
Abraço.

segunda-feira, 25 outubro, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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