quinta-feira, 24 de setembro de 2009

mirante

Passei o promontório
do medo,
cruzei os remos,
em jeito de espera;
dois olhos secos
como a dureza d'areia,
fixaram-me
como se o caudal das suas íris
me tornasse ainda mais pagão,
ainda mais gentio.
Suportei as miradas,
e remei,
remei sempre 
em navegação de doce agonia,
como se os meus caminhos
fossem verdugos,
ou
ásperas calçadas.
Depositei o meu olhar
na crueza daquele
tão nobre e frio;
logo,
arquejantes, 
se entranharam:
o meu feito vadio,
o outro vadiando livre...











(imagem retirada da net,
do filme "clockwork orange")

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Um poema vincado. Beijos.

Silvana Bronze disse...

Privilegia o ritmo
e rima com as idéias paradas de quem observa.
É notável o vai e vem das palavras...não sei se moras perto do mar aí em Portugal, mas tua gente é de mar, tua herança é de mar e tua poesia compassada como as ondas.
Parabéns Poeta...
aqui vivemos do lado da maior praia do mundo, cercado por águas de todos os lados na cidade portuguesa do Rio Grande do Sul.

Graça Pires disse...

Ser, no promontório, o que vê e o que é visto. O que rema e o que é remo...
Um belo poema, este.
Beijos.

maré disse...

pelo olhar navego

adentro o nevoeiro

com a minha nau de sílabas

.

pelo mar, arquejo os meus verdugos

de infinitos gestos redesenho as marés



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infinito o caminho das naus