quinta-feira, 10 de setembro de 2009

urzes

Entro pelos caminhos da noite,
os uivos, os gritos, as vagas
não me ofendem;
escorre-me a solidão
por entre os dedos vadios,
os tornozelos vacilam
entre as urzes
empurradas por brisas
desconhecidas, medonhas.
O meu retiro é uma caverna
tão esquecida quanto eu,
onde se engalfinham pensamentos
de outrora,
tão altivos, tão soezes.
Já não sei o regresso,
ele também não me sabe.
Estes pedaços de terra,
amanhados pelo tempo,
recrutados pela aurora,
deslizam sussurantes
desvanecendo os clarões
dóceis,
da pura antemanhã.
(imagem retirada da net)

2 comentários:

Graça Pires disse...

Tento soltar ao vento cada angústia que me fere o pensamento...
Um belo poema o seu. Um poema de solidão e de nostalgia.
Gostei muito. Um abraço.

Paula Raposo disse...

Uma antemanhã lindíssima! Beijos.