segunda-feira, 21 de setembro de 2009

um Outono...

Os soluços desfeitos,

a claridade possível,
o abandono,
o pesar
(o quase estado de graça)...
rasteiraram-me no quotidiano
solto,
augurando silêncios pardos;
sei que partiria descalço,
trajado nos rigores daquele Outono
descaído,
quási pobre;
o caminho das ondas
trouxe-me vaivéns de sal,
do tempo em que à janela
largávamos pinturas,
e risos e gestos
caídos nos solos de velhas guerras;
solto agora o meu tempo:
há duas, talvez três auroras,
infinitos ocasos
engendram palavras,
poemas (quem sabe?),
mas era a obscuridade
que, insidiosa,
se espalhava

{como urtigas por campos de linho dentro...}
(inspirado a partir de um poema de marés, publicado no seu blogue marés de espanto)
(imagem retirada da net)

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Muito bonito, Jaime! Beijinhos.

maré disse...

poderia dizer, que a minha mão segurou a tua, tal a verdade com que me "falaste"


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o tempo atravessa-nos.
às vezes como campos de urtigas.
e deixo um abraço, remoto de papoilas