segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Artur

Usei o ferro,

golpeei a fronte,

arrastei o manto;

olhei pra trás;

a minha sombra,

só.

A lança, a espada, o escudo,

o pó os enlaçava,

foi-se a montada,

a demanda,

a procura,o rasto.

Envolvi-me naqueles farrapos,

outrora eu.

Nada onde retomar,

os caminhos haviam, finalmente,

suspendido os traços.



Algures,

entre matas de jasmim,

uma velha coruja abismava os olhos,

numa queda quase lenta,

a busca

quase em dor de ave.




(Fotografia de J.N)

4 comentários:

moriana disse...

e guinevere?
:)
bj.

Jaime A. disse...

artur já estaria longe de guinevere; já não teriam caminhos, já não teriam memória.

moriana disse...

glastonbury...o cálice...

Jaime A. disse...

glastonbury: mãos dadas no gelo do eterno silêncio. O cálice terá partido com o impossível olhar de lancelot?