sábado, 31 de janeiro de 2015

contendo


O lixo.
Sempre lhe parecera um destino miserável.
Sem precisar de se lembrar que é reciclável,
agora.
Toda a vida fora alguém que não se sabia usar.
Melhor, fora alguém que nunca se soube dar uso.
Acima de tudo, fora um inútil para si próprio,
assim mesmo.
Agora que se via, que se avaliava, suspendera-se,
um suspiro frio, como frio era o seu olhar.
Análise bruta, essa. Desapontamento a escorrer.
Saltou para o caixote,
caiu fora dele.

(fonte da 
imagem: n/a)

(publicado
no blogue de Margarida
Fonseca Santos
77 palavras)

1 comentário:

Nilson Barcelli disse...

Há lixo por toda a parte...
Magnífico texto.
Bom fim de semana, caro amigo Jaime.
Abraço.