terça-feira, 7 de outubro de 2014

K

Elogio do esquecimento


front
Amo as árvores:
as suas sombras
ladeiam
a entrada escusa,
frondosa,
do meu jardim secreto;
é nos seus ramos
que envolvo memórias
e os ditos
que ainda me atormentam;
pelo seu tronco
vão ganhando asas
olhares distantes
presos aos sargaços,
às profundezas
de mares primevos.
Uma gota de sol
e uma aragem amena
banham-me um sorriso,
lágrima sem retorno;
hoje reclinarei a cabeça
na raiz dourada
de um sicómoro,
parente de aves venerandas

em céus já esquecidos.
("Caminha sempre entre a loucura e a coragem serena; nunca deixes que os ventos te desviem os olhos; apresenta sempre a mesma face aos teus iguais; assim, a tua vida que terá valido     a pena."
(fala de Constantino a Messala seu protegido)
JAIME A. é um pseudónimo que se esconde atrás de alguém que se
perde e se encontra tantas vezes, que o que escreve lhe serve também
de bússola. Os outros, no entanto, não se guiam pelos seus textos.
Jaime A. também ainda não percebeu que significado têm os seus 50
anos.

 Nota: poema publicado na VI Antologia dos Poetas Lusófonos com algumas alterações

(fonte da imagem: http://www.studyblue.com/notes/note/n/quiz-3/deck/6350451)

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1 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

Amar as árvores. Saber que nos dão a disponibilidade da sombra e dos momentos de silêncio...
Muito belo, amigo.
Um beijo.

sábado, 11 outubro, 2014  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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