sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Sul, o Além-Tejo

Hoje,
o Sol desceu,
numa irritante lentidão,
por uma tarde silenciosa,
baça;
entre as árvores,
ao longe,
viam-se os restos do repasto de uns lobos,
uma fome antiga já morta...
entre os caules de trigo
as cigarras quase zumbiam,
deixando-me os ouvidos ansiosos;
era um exemplo cáustico, 
este entardecer: 
nada havia que me despertasse, nem a sesta 
debaixo de um sobreiro;
a terra estava saudosa de água,
os arbustos eram cata-ventos
de um sopro cálido, quase bestial;
Era nesta quietude
que os braços das oliveiras,
prenhas de "candeio"
se assomavam às portas do tempo,
eterna passagem de um Sul já esquecido...























(fonte da imagem: n/a)

3 comentários:

Graça Pires disse...

Um sul esquecido com a terra sempre à espera da água. Um belíssimo poema, amigo.
Só hoje consegui postar um comentário por dificuldades do blogger.
Um abraço.

Lídia Borges disse...


Uma luz cadente que vai pousar na nudez da terra, seca e abandonada.

Belíssima imagem!


Lídia

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Toda a prosa é bonita, mas termina de forma muito bonita!

A imagem é igualmente bela...

um abraço