quinta-feira, 6 de outubro de 2011

em azul

Ao fechares-me a porta,
invocaste a parede,
essa parede 
que se sobrepõe ao meu corpo, 
num gesto de agressão contida.
É noite,
a parede 
encosta-se ao meu peito,
os meus joelhos feridos,
lembram a minha meninice;
mas resisto,
convoco todas as forças,
as que tenho e as outras,
e há uma imensa agonia,
um trémulo suspiro,
enquanto bailam os meus olhos,
e as minhas mãos tecem artifícios,
sorrisos,
enquanto venero a limpidez,
o compasso livre, a vitória! 
(fonte da imagem:
www.santorini-greece.biz/)

1 comentário:

Nilson Barcelli disse...

Por vezes, há portas que nos são fechadas.
Mas isso não deve ser motivo de desânimo, a porta pode ser aberta de novo e, para além disso, existem janelas e outras portas...
Belo poema, gostei.
Abraço.