sábado, 18 de dezembro de 2010

submersão/submissão

Hoje, submergi,
o punho fechado,
a mão longe de mim.
Entrevi, nas muralhas líquidas,
os restos do teu navio,
as aparas de madeira
com te havias camuflado,
a crença num abrigo
que nunca existiu:
as tuas águas inquietas
nunca fluíram sob as minhas.
Nesta louca imersão,
nem louros,
moda,
ou sequer passado:
tudo me foi concedido,
na certeza que meus passos
jamais abandonassem as areias fundas,
gélidas,
antárcticas,
no azul ferrete dos desertos,
dos tempos obscuros,
onde nem as minhas mãos pudessem aprisionar
os triunfos das noites insólitas...
(fonte da imagem:

1 comentário:

Rafeiro Perfumado disse...

Tenho pena do meu lado radical não me conseguir convencer a aventurar-me por esse mundo...

Abraço!